Fundo de Petrobras, BNDES e Finep investe até R$ 500 milhões em soluções para transição energética
A Petrobras, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) anunciaram nesta terça-feira (23) que o Fundo de Investimento em Participações de Transição Energética passará a receber propostas de startups e pequenas e médias empresas interessadas em desenvolver soluções para a área.
A expectativa é de financiar projetos nos setores de fontes renováveis, armazenamento de energia em baterias, captura de carbono, combustíveis sustentáveis e descarbonização de operações. A chamada foi aberta durante o evento Energy Summit, que acontece no Rio de Janeiro.
O aporte máximo total será de R$ 500 milhões, sendo até R$ 250 milhões da Petrobras, R$ 125 milhões do BNDES e R$ 60 milhões da Finep. As três instituições são responsáveis pelo fundo, além da gestora Valetec. Há possibilidade de aumentar o montante com recursos de outros investidores, e cada proposta poderá receber até R$ 10 milhões.
Rodrigo Pimentel, gerente executivo de energia renovável da Petrobras, diz que a intenção é ajudar a desenvolver e acelerar tecnologias ainda em estágio de desenvolvimento: “O segmento de bateria tem nível de maturidade muito diferente do etanol, por exemplo.”
“Somos uma empresa muito grande e estamos acostumados a fazer coisas com escala grande, que demoram mais tempo”, afirma à Folha. “A gente entende que a Petrobras sozinha, com os instrumentos que ela tem hoje, não é suficiente para atender à urgência que a transição energética e esses segmentos mais disruptivos demandam.”
Segundo Lilian Barreto, gerente executiva do Centro de Pesquisas da petroleira, o fundo também envolverá minerais críticos, que são essenciais para soluções de descarbonização. “Eu não falo em bateria sem falar de minerais críticos, não falo de fertilizante sem falar de minerais críticos.”
Barreto diz que a chamada para propostas marca o primeiro momento em que a empresa se envolve em um mecanismo do tipo. “Apesar dos fundos já serem praticados há mais de dez anos pelas demais operadoras, essa é uma experiência nova aqui para a gente”, afirma. “Não era algo que estava desenhado dentro da nossa lógica empresarial.”
Ela afirma que 20% do orçamento anual do Centro de Pesquisas, que gira em torno de US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhões), vai para projetos de baixo carbono, e essa taxa deverá alcançar os 40% até 2030.
Mesmo com o investimento na transição energética, a Petrobras mantém os planos de continuar a perfuração. “Estamos seguros de que não vai ser o [combustível] fóssil contra o renovável, vai ser o fóssil sendo complementado pelo renovável”, afirma Barreto. “Mas, nesse contexto, a gente não vai poder produzir petróleo tal qual produzimos hoje, a gente vai ter que produzir um petróleo absolutamente descarbonizado.”
“Temos como objetivo produzir a última molécula de petróleo do mercado, e essa última molécula vai ser descarbonizada”, diz a gerente. Ela se refere às emissões geradas na fase de extração e produção, já que a queima do combustível continuará emitindo gases do efeito estufa.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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