Bombeiros e falcões garantem segurança nos bastidores de Confins
Enquanto o Aeroporto Internacional de Confins vive um ano de recordes, com 13,3 milhões de passageiros embarcados e presença entre os dez terminais mais pontuais do mundo, uma estrutura pouco visível ao público sustenta essa operação. Caminhões de combate a incêndio de última geração ficam de prontidão 24 horas por dia, enquanto falcões, gaviões e um cão treinado trabalham diariamente para manter pássaros longe da pista. Juntas, essas frentes formam a engrenagem de segurança que garante a fluidez percebida por quem passa pelo terminal, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
O acesso a essas áreas técnicas normalmente restritas foi possível por meio do Embarque Imediato, programa de visitas guiadas do BH Airport que recebe grupos de 10 a 30 pessoas, com roteiro de até quatro horas adaptado ao perfil de cada visitante. Criado para aproximar o público da logística por trás dos voos, o programa leva participantes por áreas como corredores de serviço e pátios operacionais, fora do trajeto do passageiro comum. O Diário do Comércio acompanhou uma dessas visitas a convite da equipe do BH Airport.
Caminhão de R$ 4 milhões
A frota de combate a incêndio do aeroporto conta com dois caminhões avaliados em R$ 4 milhões cada, equipados com tração 6×6, que permite deslocamento em qualquer tipo de terreno, inclusive fora das pistas, e canhões de água e espuma operados de dentro da cabine, sem que o bombeiro precise se expor ao calor externo. A estrutura é mantida em regime de prontidão permanente, com atendimento em poucos minutos, conforme exigido pela regulação da aviação civil.

Entre as principais atribuições da equipe estão o resgate aeronáutico em caso de pousos forçados ou acidentes, o acompanhamento de manobras de risco e abastecimentos de aeronaves com passageiros a bordo, o atendimento pré-hospitalar a emergências dentro do terminal e do pátio, e a realização de simulados diários.
“Segurança para a gente não é um turno, é uma rotina de 24 horas. Treinamos todos os dias para que, se for preciso agir, a resposta seja imediata. E essa parceria com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais fortalece esse trabalho, porque a proteção não termina nos muros do aeroporto”, afirma Luiz Coelho, chefe de equipe do Corpo de Bombeiros do aeroporto, que também presta apoio à corporação estadual no combate a incêndios nas imediações do sítio aeroportuário.
Falcões, gaviões e cão
Outra frente da operação de segurança, essa quase invisível para quem embarca ou desembarca em Confins, é o manejo de fauna. O aeroporto utiliza falcões e gaviões em técnicas de falcoaria para afastar pássaros silvestres das proximidades da pista, reduzindo o risco de colisão com aeronaves. A presença das aves de rapina altera o comportamento de outras espécies na área, funcionando como método natural de dispersão. A equipe conta ainda com Martin, cão da raça pointer inglês, que atua na varredura de áreas de risco e no afugentamento de animais. A combinação de aves de rapina e cães é prática comum em aeroportos de grande porte no mundo todo.

“A missão é reduzir ao máximo o risco que as aves trazem para a operação”, resume Marcos Cruz, biólogo do Centro de Manejo de Fauna do aeroporto. Segundo ele, a falcoaria é uma ferramenta de gerenciamento de risco de fauna, um dos temas mais sensíveis da operação aeroportuária, já que a aproximação de aves silvestres na pista pode provocar colisões, incidentes e até a interdição temporária do espaço aéreo. As aves realizam voos programados ao longo do dia, obedecendo a comandos dos treinadores.
Engrenagem nos bastidores
Essa estrutura de segurança não existe isolada. Parte dela foi viabilizada pelos R$ 58,8 milhões investidos em infraestrutura ao longo de 2025, segundo as demonstrações financeiras do BH Airport, recursos que também financiaram os e-gates do embarque internacional e a reforma do Desembarque 1.
Entre a prontidão dos bombeiros e o trabalho silencioso do controle de fauna, a rotina de Confins mostra que a fluidez percebida dentro do terminal depende diretamente de uma engrenagem de segurança e logística que funciona, na maior parte do tempo, fora da vista do público.
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