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Nove restaurantes mineiros estão entre os 100 melhores do Brasil; chefs celebram nova fase da gastronomia

Chefs afirmam que o reconhecimento da revista Exame reflete a evolução da cozinha mineira, que alia tradição, criatividade e identidade regional para conquistar espaço nos principais rankings do País
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Nove restaurantes mineiros estão entre os 100 melhores do Brasil; chefs celebram nova fase da gastronomia
Foto: Divulgação Restaurantes Trintaeum, Birosca S2, Pacato e Glouton

Nove restaurantes mineiros figuram entre os 100 melhores do Brasil no ranking da revista Exame, divulgado nessa quinta-feira (25). O resultado coloca Belo Horizonte, com oito estabelecimentos, como um dos principais polos gastronômicos do País, ao lado de Tiradentes, que também emplacou um representante na lista.

Mais do que um reconhecimento individual aos estabelecimentos, chefs e empreendedores do setor avaliam que o resultado confirma uma transformação vivida pela gastronomia mineira nos últimos anos. Sem abrir mão de receitas, ingredientes e memórias que atravessam gerações, a cozinha do Estado vem se reinventando, conciliando tradição e inovação em uma produção autoral, contemporânea e cada vez mais reconhecida no Brasil e no exterior.

“Acho que Minas Gerais, além de ter uma gastronomia de altíssima qualidade, vem avançando cada vez mais também na qualidade do serviço. Excelentes restaurantes surgem todos os dias, ampliando a oferta para quem visita o Estado e fortalecendo o nosso cenário gastronômico. Esse movimento acaba caminhando junto com a visibilidade na mídia. À medida que a gastronomia mineira cresce e se desenvolve, ela desperta mais interesse, conquista espaço e abre novas portas para que mais pessoas conheçam Minas”, observa a chef Ana Gabi Costa, do restaurante Trintaeum, presente em 20º lugar no ranking, o primeiro entre os mineiros.

Para o proprietário do Pacato, Vitor Velloso, que vê o restaurante figurar pela quinta vez consecutiva entre os cem melhores do País, o destaque alcançado por Minas vai além do desempenho de uma única casa. “A presença do Pacato nessa lista é motivo de muita alegria. Mas também é um orgulho ver a culinária mineira cada vez mais presente em rankings nacionais e internacionais. É muito bom ver mais colegas belo-horizontinos e mineiros integrando essa lista”, comenta.

A percepção também é compartilhada pela chef Bruna Martins. Proprietária do Birosca S2, do Gata Gorda e do Florestal, ela avalia que o reconhecimento evidencia a força coletiva da gastronomia belo-horizontina. “Fico muito feliz por ver nossa cena tão bem representada. Para sermos reconhecidos, jurados de diferentes estados precisam escolher frequentar nossos restaurantes. Esse reconhecimento nos deixa muito felizes”, afirma. Dois dos restaurantes comandados por ela aparecem na lista: o Birosca S2, na 36ª posição, e o Florestal, na 77ª.

Os restaurantes mineiros entre os 100 melhores do Brasil

Os representantes de Minas Gerais na lista dos 100 melhores restaurantes do Brasil em 2026 são:

  • Trintaeum (20º),
  • Glouton (24º),
  • Cozinha Tupis (26º),
  • Parallel (32º),
  • Pacato (35º),
  • Birosca S2 (36º),
  • Per Lui (47º),
  • Tragaluz (71º), em Tiradentes,
  • e Florestal (77º).

Novas receitas com os pés na tradição

Na avaliação de Velloso, a gastronomia mineira vive hoje um momento de efervescência criativa. Segundo ele, chefs de diferentes gerações têm reinterpretado a culinária regional sem abrir mão de suas raízes. “A cena gastronômica de Belo Horizonte ganhou relevância. Os restaurantes estão melhores, os chefs fazem criações cada vez mais interessantes e dão continuidade a uma história construída ao longo de mais de 300 anos, agora renovada por novos sotaques e novas ideias”, diz.

Essa renovação, ressalta Velloso, não significa romper com a tradição, mas atualizá-la. Quando abriu o Pacato, há cinco anos, o restaurante assumiu o propósito de apresentar uma gastronomia mineira contemporânea, dialogando com cozinhas de outras regiões sem perder a identidade local. Para ele, esse movimento ampliou a visibilidade da cidade e abriu espaço para que novos restaurantes conquistassem reconhecimento nacional.

Quem também vê no reconhecimento um reflexo de um trabalho construído ao longo do tempo é o chef Leonardo Paixão, responsável pelo Glouton. “Esse reconhecimento da Exame é muito importante para nós. É uma lista séria, com grande repercussão nacional, e estar entre os cem melhores restaurantes do Brasil é sempre motivo de muita alegria e gratidão”, avalia.

Presente nas listas desde a primeira edição, o Glouton ficou em 24º lugar, o que, para Paixão, é resultado de um esforço contínuo e da consistência dos padrões de qualidade. “Para nós, não é só sobre aparecer em um ranking, mas sobre conseguir manter, ao longo dos anos, um trabalho autoral, mineiro, brasileiro, feito com muito cuidado por uma equipe enorme”, celebra.

Cozinha que nasce dentro de casa

Na avaliação de Velloso, um dos principais diferenciais da gastronomia mineira é que ela continua ligada ao cotidiano da população. “Se você vai receber amigos para assistir a um jogo da Copa, existe uma grande chance de fazer um tropeiro porque sua mãe fazia, sua avó fazia. Depois você vai ao restaurante e encontra esse mesmo prato reinterpretado”, observa.

Segundo ele, essa proximidade entre a cozinha doméstica e a alta gastronomia faz da culinária mineira uma expressão cultural antes mesmo de ser uma experiência gastronômica. “A gastronomia mineira não é só criatividade gastronômica. É expressão cultural de um povo”, comenta ao lembrar de uma das características mais fortes do mineiro: a hospitalidade.

“O mineiro quer que você experimente aquilo que ele gosta. Mostrar a comida é mostrar um pouco da verdade dele. É muito difícil ir a um restaurante de cozinha regional e não encontrar histórias, familiares e momentos da própria trajetória naquilo que está sendo servido”, completa.

Encerramento com chave de ouro

Neste fim de semana, o Florestal, 77º colocado no ranking, encerra oficialmente as atividades. “Ver o Florestal fechar nesse momento, justamente entrando para esse ranking, me deixa muito feliz. Nem sempre uma casa encerra as atividades por falta de qualidade. A luta do empreendedor é muito maior do que aquilo que chega ao cliente. Conseguimos entregar um trabalho digno de figurar entre os melhores do Brasil e, mesmo assim, chegou a hora de encerrar esse ciclo”, afirma Bruna Martins.

Apesar do tom de despedida, a chef afirma que o reconhecimento reforça sua disposição para novos projetos. Ela lembra que, no ano passado, além do Florestal e do Birosca S2, o Gata Gorda também figurou na lista, deixando um indicativo do que pretende construir nos próximos anos.

“Então, ano que vem tem mais e eu acredito que melhor ainda. Ano passado eu tive três casas no ranking. E este ano já estou super feliz de ter duas, mas ano que vem eu acredito, quem sabe eu não possa ter três novamente? Sendo que não vai ser o Florestal, uma delas. Fica o spoiler aí no ar”, conclui.

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