Geely EX2 se destaca entre os veículos elétricos

Hatch compacto já está entre os modelos mais emplacados do Brasil

Sucesso entre os motoristas de aplicativos, ou como o primeiro carro elétrico de muitos brasileiros, três hatches compactos já figuram entre os dez modelos mais vendidos no País.

Depois dos modelos Dolphin e Dolphin Mini da BYD, o Geely EX2 foi o primeiro elétrico de outra marca a atingir este feito, o 9º automóvel mais emplacado em julho deste ano.

Veículos recebeu para avaliação o Geely EX2 Max, modelo 2026. No site da montadora, essa versão de topo da gama, 100% elétrica, tem preço de R$ 137,80 mil, em qualquer cor.

Seus equipamentos diferenciados são: multimídia de 14,6 polegadas com 4G; áudio com seis alto-falantes; carregador de celular; banco do motorista elétrico com seis vias; luz ambiente com 256 cores; bancos e console revestidos em vinil; roda diamantada de 16 polegadas com pneu 205/60 R16.

Em termos de segurança, os destaques são: ACC com stop and go; câmera 540°; farol alto automático; seis airbags; controle de decida de rampa; sistema anticapotamento e monitoramento da pressão dos pneus.

Motor e bateria

O EX2 Max tem um motor elétrico e tração traseira. Ele é do tipo síncrono de imã permanente e desenvolve 116 cv de potência máxima e 150 Nm de torque.

Pesando 1.300 kg, a versão Max acelera de zero a 100 quilômetros por hora (km/h) em 10,2 segundos e atinge 140 km/h de velocidade máxima, segundo a Geely.

A bateria do tipo Lítio Ferro Fosfato (LFP) tem 39,4 kWh de capacidade. Ela recarrega a 6,6 kW (AC) entre 10% e 100% em 6,5 horas e a 70 kW (DC) entre 30% e 80% em 21 minutos.

Nós já avaliamos o BYD Dolphin GS, modelo mais caro que o EX2, mas com dimensões e equipamentos semelhantes e, por este motivo, faremos algumas comparações entre estes dois chineses.

Geely EX2
Foto: Amintas Vidal

O EX2 é um hatch compacto elétrico típico, tem dois volumes bem definidos. O Dolphin é um monovolume, frente e cabine pouco destacadas uma da outra.

Mas, as formas abauladas, faróis e lanternas em LED e os para-choques fechados são elementos comuns no segmento.
Interior – Por dentro, menos diferenças ainda. O painel horizontal com uma tela menor para instrumentos e outra maior para o multimídia, console alto, largo e com carregador para celular e porta copos, assim como os bancos inteiriços, é a arquitetura chinesa vigente.

Mas, o design das peças e partes se difere. O EX2 é mais clássico, tem uma linha mais horizontal nos painéis e formas triangulares em molduras e maçanetas.

No Dolphin o design é marítimo, as formas são orgânicas, lembram golfinhos, conchas, barbatanas ou ondas.
Diferencial no EX2 Max, painel e portas dianteiras têm faces com imagens de prédios que se ascendem nas 256 cores.
Peças pintadas em tons de cinzas ou em preto brilhante, assim como detalhes cromados ou acetinados, sofisticam o interior da cabine.

O revestimento em vinil na cor cinza não tem a qualidade de toque do couro, mas ser aplicado na parte inferior do painel e nos apoios de braços, central e das quatro portas, é raro na categoria. Na parte central dos bancos, o vinil é perfurado e costurado com linha branca.

Equipamentos

Como ambos são modelos de transição para os elétricos, eles têm botões para diversos equipamentos. Mas, o EX2 tem mais.
Vidros, espelhos e travas têm comandos completos. Ar-condicionado, som e ADAS, os essenciais. No Dolphin, o ar-condicionado é todo na tela do multimídia.

O ar-condicionado do EX2 tem alguns comandos posicionados no console e outros na tela.

Ele não é automático, regulável por temperaturas, apenas se escolhe deixar mais frio ou mais quente. Silencioso e eficiente na refrigeração, tem saídas de ar traseiras como diferencial.

O som tem boa distribuição espacial em seis alto-falantes, mas nenhuma preparação especial.

O nicho do carregamento por indução pode ser desativado, virando um porta-objetos. A tela do quadro de instrumentos tem bom tamanho e traz as informações básicas para a navegação.

Multimídia

Já a tela do multimídia é grande e tem alta definição. Nela, existem muitas páginas de informações e comandos de diversas funções, inclusive do computador de bordo e gráficos de consumo.

Usual em modelos chineses, a câmera 560° oferece monitoramento superior. Também na tela, ela exibe os dois lados do carro para manobras de baliza, a frente e a traseira para aproximações, e uma animação virtual em 3D do hatch que é colocada em movimento sobre a imagem do trajeto como se fosse uma captação feita por drone.

Geely EX2
Foto: Amintas Vidal

O volante do EX2 tem apenas dois botões muito eficientes. Pressionado o da esquerda, ele ativa o ACC, regula a velocidade com toques para cima e para baixo e a distância relativa com toques para os lados.

O da direita controla todo o som e o comando por voz. Além da simplicidade de operação, o ACC é muito preciso, mas o ADAS não é completo.

Ele não tem correção de saída de faixa, apenas alerta. Também falta o alerta de ponto cego. Mas, tem o alerta de colisão eminente com frenagem de emergência, o principal recurso.

Assistência elétrica

A assistência elétrica do volante é acertada, sendo leve em manobras de estacionamento e ganhando peso progressivamente.
Em conjunto ao seletor de marcha por joystick, a dupla propicia uma operação de condução mais simples e amigável do que modelos com as marchas na coluna.

A ergonomia é acertada nos dois modelos e a amplitude interna em ambos impressiona.

Neles, quatro adultos têm ótimo espaço para cabeça, ombros e pernas, melhor até do que em alguns modelos médios. Um quinto adulto não tem tanta área para seus ombros, mas ainda vai bem.

Entrar e sair de hatches compactos elétricos não é fácil, pois suas baterias estão sob seus assoalhos, deixando-os altos.
Este piso elevado também existe nos SUVs elétricos, mas seus tetos altos permitem assentos igualmente elevados, tornando o acesso mais ergonômico.

Estável e rápido, modelo é muito divertido para ser utilizado no trânsito urbano

O EX2 mede 4,14 metros de comprimento, dois centímetros (cm) a mais que o BYD Dolphin, mas tem 2,65 metros de distância entre-eixos, cinco cm a menos.

Na largura, são 1,80 metro, 3 cm a mais que o modelo da BYD, e tem 1,58 metro de altura, apenas 1 cm a mais.

Para bagagens, o espaço é bem maior. No porta-malas do EX2 cabem 375 litros, 125 litros a mais que o do Dolphin.
Além disso, por ter tração traseira, o EX2 tem um baú de 70 litros sob o capô. Sob o banco traseiro, mais 28 litros. Mas, ele não tem roda sobresselente, apenas um kit de reparo do pneu, algo ruim em nossas ruas e estradas.

Assim como no Geely EX5, que já avaliamos, o acerto das suspensões do EX2 prioriza o conforto.

A carga em molas e amortecedores garante estabilidade suficiente para o hatch ser seguro em uma condução responsável, condizente com a proposta urbana do modelo.

Contudo, o EX2 absorve bem os impactos das irregularidades dos pisos e o conjunto não aparenta sofrer com o árduo trabalho, se mostrando robusto.

Ele tem melhor conforto de marcha que o Dolphin, mas é mais ruidoso, seu conforto acústico é inferior ao do BYD.

Dinâmica

Mas, em dinâmica, o EX2 dá o troco. A tração traseira é mais esportiva, ela dá a sensação de estar “empurrado” e, não, “puxando”.
Além da frente não levantar nas acelerações, ela responde melhor ao esterço do pequeno volante do modelo. O centro de gravidade também ajuda.

As pesadas baterias rebaixam o centro de gravidade destes elétricos, algo que segura mais as movimentações verticais e laterais da carroceria.

Geely EX2
Foto: Amintas Vidal

Muito estável e rápido, principalmente do zero aos 50 km/h, o EX2 é um dos modelos mais divertidos para “pilotar” em nossas ruas.

Em estradas ele não faz feio, apesar da velocidade limitada aos 140 km/h. É possível andar aos 110 km/h ou 120 km/h, velocidades máximas permitidas no Brasil, sem grande esforço.

Autonomia

Mas, dentro destas velocidades, a autonomia cai bastante, mais do que ocorre com carros à combustão na mesma condição.
Para ser econômico em estrada, em qualquer carro elétrico, é preciso controlar a aceleração usando o indicador de consumo instantâneo, instrumento mais relevante nestes eletrificados.

No EX2, ele fica logo abaixo do velocímetro, formando a dupla essencial da navegação. Normalmente em formato de barra e sem cor, o lado direito vai ficando azul à medida que o consumo energético aumenta.

Para a esquerda ele vai fincando verde, com o aumento da regeneração. O segredo é não deixar o azul crescer muito e ficar no verde sempre que possível.

Seguindo o padrão econômico de condução em nossos testes de consumo, no qual buscamos manter 90 km/h e 110 km/h, sempre acelerando progressivamente, atingimos boas médias. Mas, em outros testes, respeitamos mais o relevo das vias e fomos ainda mais eficientes.

Consumo

Em nosso circuito rodoviário padronizado, circulamos 38,7 km, realizamos uma volta aos 90 km/h e outra aos 110 km/h.
Na volta mais lenta, registramos 12,0 kWh/100km, ou 8,33 km/kWh. Na mais rápida atingimos 14,3 kWh/l00km, ou 6,99 km/kWh.

No teste urbano, circulamos por 25,2 km em velocidades entre 40 e 60 km/h, vencemos 157 metros de desnível e fazemos 20 paradas simuladas em semáforos, com intervalos entre cinco e 50 segundos.

O EX2 consumiu 13,0 kWh/100km, ou 7,69 km/kWh, mostrando que carro elétrico pode ser menos econômico em cidades acidentadas do que em estradas com topografia regular.

Andando em estradas entre 60 km/h e 90 km/h, tendo paciência para rodar mais lento em subidas, atingimos um pouco menos de 10 kWh/100 km, ou mais de 10 km/kWh.

O Geely EX2 já é um sucesso em nosso mercado, pois ele entrega mais do que os modelos Dolphin Mini e Dolphin GS e custa menos que o último.

Como a Geely comprou parte da Renault nacional, e está usando toda a sua estrutura, isto também contribui com as boas vendas.

Sobre o autor

Diário do Comércio


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Especial
Aos 94 anos, Diário do Comércio revisita as campanhas que ajudaram a moldar Minas