Geely EX5 elétrico é um veículo muito confortável
Em outro momento da indústria automotiva chinesa, modelos Geely, compactos e a combustão, chegaram ao Brasil por meio da mesma empresa que importa os carros da Kia.
Agora, no auge do domínio chinês no mercado de veículos eletrificados, a Geely retorna ao Brasil associada à Renault, após a aquisição de parte do capital da europeia pela marca asiática.
O Diário do Comércio recebeu para avaliação o utilitário esportivo EX5 Max, modelo 2026. No site da montadora, essa versão de topo da gama, 100% elétrica, tem preço de R$ 225,80 mil, em qualquer cor.
Seus equipamentos diferenciados são: teto solar panorâmico e retrátil; multimídia de 15,4 polegadas com conexão 4G; áudio Flyme Sound com 16 alto-falantes; refrigeração e seis modos de massagem nos bancos dianteiros; porta-malas elétrico e rodas de 19 polegadas com pneus 235/50 R19.

Em termos de segurança, os destaques são: head-up display HD de 13,8 polegadas e sistema ADAS completo, inclusive com alerta e frenagem de tráfego cruzado, aviso de saída segura e câmera 540°.
Motor
O EX5 BEV tem um motor elétrico e tração dianteira. Ele é do tipo síncrono de ímã permanente.
Desenvolve 218 cv de potência máxima e 320 Nm de torque. Pesando 1.765 kg, o EX5 Max acelera de 0 a 100 km/h em 7,1 segundos e atinge 180 km/h, segundo a Geely.
A bateria, composta por lâminas curtas, é denominada Geely Short Blade. Do tipo lítio-ferro-fosfato (LFP), tem 60,22 kWh de capacidade.
Ela recarrega a 11 kW (AC), entre 10% e 100%, em 6,1 horas, e a 100 kW (DC), entre 30% e 80%, em 20 minutos.
Recentemente, avaliamos o Leapmotor C10 REEV, modelo elétrico, mas com extensor de autonomia. Fora essa diferença, eles têm preços e outras semelhanças que destacaremos nesta matéria.
Design
Esteticamente, ambos fazem parte de uma mesma escola chinesa de design de SUVs.
Basicamente, seus DRLs são estreitas linhas em LED logo abaixo do capô. Em alguns conjuntos, encorpam os faróis e, em outros, estes são embutidos no para-choque dianteiro.
Seguindo a receita, o para-choque é quase todo fechado e tem apenas pequenas entradas de ar inferiores.
Na traseira, as lanternas são interligadas por uma faixa em LED, igualmente estreita. As laterais são lisas, levemente arredondadas e têm maçanetas embutidas.
No C10, a Leapmotor fugiu à regra. Usou rodas de raios finos, mais esportivas. Mas a Geely seguiu a escrita, manteve as rodas fechadas, mais aerodinâmicas, muito parecidas com as dos outros elétricos chineses.
Interior
O design interno dos dois também é comum, muito “asiático”. O painel horizontal, com uma tela menor para instrumentos e outra maior para o multimídia, console alto e largo, com carregador para celular e porta-copos, é o padrão da cabine chinesa.
Mas a usabilidade do EX5 é superior. Seu interior não é tão minimalista como o do C10. Há mais comandos físicos no SUV médio da Geely.
Vidros, retrovisores e travas têm botões dedicados, assim como o ar-condicionado tem alguns comandos básicos no console central.

Existem operações feitas na tela, realmente, assim como em botões localizados no volante. Porém, o direcionamento do ar é feito na própria saída, e um grande botão controla o volume do áudio e agrega outras funções ao ser pressionado. Em uso, o EX5 é mais convencional.
Além de ser mais amigável com os usuários, o interior do EX5 é mais elaborado que o do C10.
Painel e console têm design mais arrojado e materiais de acabamento mais sofisticados. Por mais que a cabine clean do C10 seja admirável, a do EX5 enche bem mais os olhos.
Acabamento
Bancos, apoios e encostos de braço e partes dos painéis e das portas têm revestimentos macios ao toque, com predominância da cor cinza. Partes em preto brilhante e superfícies e peças imitando metais diversos complementam o acabamento, que eleva a qualidade interna.
Já em espaço interno, o C10 está mais para um SUV grande, de tão amplo. Mas o EX5 também é um SUV médio espaçoso.
Quatro adultos têm ótima área para cabeça, ombros e pernas. O quinto passageiro conta com piso plano, boa área para os pés e conforto razoável.
Equipamentos
Entre muitos equipamentos, o teto solar, a porta do porta-malas e o ar-condicionado funcionam por comando de voz ou são operados na tela do multimídia.
Além dos botões físicos de ativação do modo automático, da recirculação e do desembaçamento, existe página dedicada com todas as funções do ar-condicionado.
O sistema de áudio tem ótima distribuição espacial, algo bem explorado no modelo: o som das setas sai nos alto-falantes que estão sobre o painel, apenas do lado da seta ativada, e a voz nas ligações sai do encosto de cabeça do motorista.
A tela de instrumentos traz informações da navegação, inclusive o funcionamento do ACC. O head-up display eleva ao para-brisa as mais essenciais e indica as conversões do GPS.
ADAS
Todo o sistema de ADAS funciona com precisão e está entre os melhores homologados no Brasil. Contando com câmera e radar, ele notifica e atua em correções de forma antecipada e progressiva, sem assustar o condutor. O alerta de ponto cego poderia ser mais intenso.
A tela do multimídia é das melhores entre as chinesas, que são superiores às “nacionais”. Em brilho, sensibilidade ao toque e definição, ela é quase perfeita.
Após alguns dias, entrar nos atalhos relevantes se torna automático. Desligar o leitor de placas, configurar o modo de condução e “zerar” o computador de bordo são passos necessários para circular em paz, economizar energia e conferir a eficiência energética.
Silencioso, modelo entrega desempenho convincente e é muito divertido de guiar
Por fim, gerenciar o percentual de consumo energético no computador de bordo ajuda a aprender a guiar um elétrico.
Mas o mais importante é a barra de consumo instantâneo do painel de instrumentos. Regenerar o maior tempo possível no deslocamento é o segredo.
Logo abaixo da velocidade existe essa barra, verde à direita (indica carregamento) e azul à esquerda (indica consumo). Acelerar o mínimo necessário e o mais progressivamente possível, assim como parar de acelerar para aproveitar o deslocamento, amplia a autonomia.
Economia à parte, pisar fundo no EX5 é muito divertido. A saída da inércia não é tão intensa como em outros elétricos. É perceptível que existe interferência eletrônica para uma entrega gradual do torque, provavelmente para ele não patinar, pois sua tração é dianteira.
Aceleração
Assim que o deslocamento se inicia, a aceleração é a típica dos elétricos mais potentes. O EX5 ultrapassa os 100 km/h antes dos oito segundos e ganha velocidade cada vez mais rápido. Sua aerodinâmica é apurada e ele encontra pouca resistência do ar para um SUV médio.
Sem nenhum barulho do motor ou do trabalho das suspensões, assim como com o baixo ruído da retenção do ar e do atrito dos pneus (muito bem isolado da cabine), o EX5 entrega muito conforto acústico em qualquer velocidade.
Mas a cereja do bolo é o seu conforto de marcha. Ao acertar o C10, a Stellantis deixou o modelo muito estável, porém menos confortável.
A Geely seguiu outro caminho com o EX5. Usou roda menor, de 19 polegadas, e pneus 5 mm mais estreitos, porém com altura de 50% da largura, ótimo para o amortecimento primário.
Suavidade
Assim que saímos da concessionária, a suavidade no deslocamento sobressaiu. O trabalho vertical das suspensões ocorre em uma frequência baixa para um modelo médio, mais parecida com a de modelos maiores, mais luxuosos.
O EX5 trata muito bem seus ocupantes. O conjunto absorve muito bem as irregularidades das vias e quase não transfere vibrações para a cabine.
Em ondulações e em velocidades maiores, o SUV ensaia flutuar, mas seu alto peso e o baixo centro de gravidade limitam essa movimentação do monobloco. Passando por junções em pontes ou buracos no asfalto, o conforto se mantém.
Contudo, em curvas, o EX5 é estável o suficiente para um uso responsável em um carro familiar, sem pretensões esportivas. Não é a preferência nacional, mas é o acerto que mais apreciamos.
Consumo
Em nosso circuito rodoviário padronizado, circulamos 38,7 km e realizamos uma volta a 90 km/h e outra a 110 km/h. Na volta mais lenta, registramos 12,5 kWh/100 km, ou 8 km/kWh. Na mais rápida, atingimos 16,1 kWh/100 km, ou 6,21 km/kWh.
No teste urbano, circulamos por 25,2 km em velocidades entre 40 e 60 km/h, vencemos 157 m de desnível e fazemos 20 paradas simuladas em semáforos, com intervalos entre 5 e 50 segundos.
O EX5 consumiu 15,1 kWh/100 km, ou 6,62 km/kWh, mostrando que carro elétrico pode ser menos econômico em cidades acidentadas do que em estradas com topografia regular.
O Geely EX5 está entre os SUVs elétricos mais caros do seu segmento, mas tem equipamentos e acabamento acima da média.
Em conforto de marcha, ele é o melhor elétrico que já avaliamos. Para quem valoriza essa qualidade ao rodar, o EX5 é uma ótima opção.
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