RINALDO DE CASTRO OLIVEIRA*

Em ensaio publicado no fim de 2018, abordei o tema da resiliência organizacional, como forma de melhoria dos resultados das empresas em um ambiente turbulento e incerto.

Nesta reflexão, proponho-me a aprofundar esse tema, tendo como foco os desafios dos pequenos negócios, que possuem características próprias dentro desse mercado complexo.

Não há dúvidas de que as microempresas e empresas de pequeno porte são de grande importância para o País, pois, conforme dados do Sebrae (2016), representam cerca de 98,5% do total de empresas privadas, respondem por 27% do PIB e são responsáveis por 54% do total de empregos formais existentes no Brasil.

É interessante observar que, mesmo com toda a crise vivida nos últimos anos, o número de micro e pequenas empresas cresceu, evitando uma redução ainda maior do nível de emprego do País. Crescer em tempos difíceis é sinal de resiliência, muitas vezes estimulada pelo instinto de sobrevivência, mas também é consequência de estratégias bem planejadas e executadas.

No campo da gestão empresarial, estudos têm sido realizados com o propósito de entender os fatores que influenciam o sucesso ou fracasso das pequenas empresas.

Nesse sentido, utilizo-me da pesquisa elaborada por Ismail et al. (2011) que teve como objetivo propor um modelo conceitual, onde a partir da análise das capabilidades e fraquezas de pequenas empresas, pode-se desenvolver múltiplas estratégias e cenários de crescimento que favoreçam as mesmas a agir de forma proativa para alcançar a resiliência.

Esses autores destacam que em um cenário de imprevisibilidade e de constantes mudanças, pequenas empresas são particularmente mais vulneráveis. No entanto, o fato de estas serem mais flexíveis, com menores tempos de resposta, e relacionamento mais próximo aos clientes, pode trazer alguma vantagem competitiva.

Por outro lado, empresas de pequeno porte são mais propensas a serem centradas no proprietário, a dependerem mais de rotinas e métodos informais e, muitas vezes, concentram-se nas operações do dia a dia, em detrimento do crescimento de longo prazo.

Diante dessas questões, o desenvolvimento do conceito de agilidade operacional favorece as pequenas empresas, colocando-as em melhor posição para lidar com a turbulência.

Porém, por si só, a agilidade é insuficiente para alcançar a resiliência, sendo essencial que os pequenos negócios considerem também a perspectiva estratégica para orientar o crescimento.

Em geral, pequenas empresas se comportam de forma reativa, em oposição à proatividade, e o pensamento estratégico e o planejamento são estimulados tanto por ameaças de perdas, ou pela necessidade de expandir os negócios.

O desenvolvimento da agilidade estratégica, tendo como foco as pequenas empresas, passa pela orientação e incorporação de metas claras para promover o crescimento dos negócios e pela utilização de instrumentos fáceis de medir e de gerenciar no dia a dia das empresas.

Também é importante que as pequenas empresas desenvolvam as competências necessárias que facilitarão a implantação de iniciativas estrategicamente planejadas, desenvolvendo, assim, a resiliência necessária para trilhar os caminhos de crescimento.

Em síntese, é preciso induzir a pequena empresa a mudar de uma cultura de sobrevivência, passando a incorporar uma postura e comportamentos estratégicos e preditivos mais estruturados.

A busca da maturidade gerencial dos pequenos negócios requer por vezes a intervenção e suporte externos para iniciar e manter o ritmo do processo de transformação, mediante o estabelecimento de parcerias para transferência de conhecimento com o intuito de efetuar as mudanças estratégicas.

Por fim, o alcance da resiliência se dá quando as pequenas empresas são ágeis para planejar estrategicamente o seu futuro, e competentes operacionalmente para realizar com rapidez as iniciativas e suas metas de crescimento.

*Sócio-diretor da DMEP