Energia gerada na usina deve suprir 30% da demanda da prefeitura em uma primeira etapa - Créditos: DIVULGAÇÃO

A cidade de Bom Despacho, no Centro-Oeste de Minas, prepara-se para utilizar a energia solar como fonte de abastecimento da iluminação pública e de prédios públicos, entre eles unidades de saúde e escolas.

O município investirá R$ 5,5 milhões na construção de uma usina solar, que vem sendo chamada de Parque Energético, com capacidade para atender, inicialmente, a cerca de 30% da demanda de energia, sendo que o objetivo é chegar a 100%.

Segundo o prefeito Fernando Cabral (PPS), no primeiro ano de funcionamento da nova estrutura, prevista para ser inaugurada no segundo semestre, a economia com a conta de energia deve ser de aproximadamente R$ 500 mil.

Atualmente, a administração municipal gasta, por ano, cerca de R$ 3 milhões com a conta de energia elétrica. A nova usina terá capacidade inicial de gerar 240 mil kWh/mês – 30% da demanda atual da administração municipal.

Projeções realizadas pela prefeitura indicam que, no prazo de 30 anos, a economia do município com a implantação da estrutura para geração de energia solar chegará a R$ 32 milhões.

Segundo o prefeito, do investimento de R$ 5,5 milhões, R$ 4,7 milhões serão financiados pelo Banco do Brasil, sendo que o restante será bancado pelo próprio município. Cabral explica que, com a economia gerada na conta de energia, será possível amortizar o financiamento.

“É uma engenharia financeira interessante, pois não teremos desembolsos”, diz.

A sustentabilidade da fonte energética foi primordial para a escolha do modelo.

“Um dos pontos fundamentais é o ambiental, já que a energia fotovoltaica é absolutamente limpa”, informou o prefeito. Para verificar a viabilidade do projeto, foram utilizados estudos de insolação realizados pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Empresas locais que já utilizam a energia solar também foram consultadas.

Segundo Fernando Cabral, o processo que possibilitará a implantação da usina solar já teve início, com o encaminhamento do pré-projeto a cerca de 160 empresas da área que tenham capacidade para atender à demanda da prefeitura. No próximo dia 30, ele estará em Belo Horizonte para detalhar o projeto na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Na reunião, com a presença das empresas interessadas, será discutida qual a melhor solução a ser adotada para instalação da usina solar.

A previsão é de que o edital para contratação da obra seja lançado logo em seguida. A construção da usina deve durar entre 90 e 120 dias. Os terrenos para implantação da usina estão sob análise, mas o mais provável é que a estrutura seja instalada em fazenda própria da prefeitura, ou seja, não haverá gastos com aquisição ou aluguel de terreno.

Segundo Cabral, a prefeitura está interessada em uma tecnologia de alta durabilidade, de aproximadamente 30 anos, agregada a custo baixo. Devido a limitações orçamentárias, não deverá ser utilizada tecnologia de ponta.

“A ideia é fazer um edital que permita selecionar uma boa tecnologia com garantia de 30 anos”, diz.

Distribuição – A distribuição continuará sendo feita pela Cemig. O sistema prevê que a energia gerada na usina solar seja direcionada para a rede da Cemig que, por meio de sistema de crédito, compensa o município. Se o município produzir mais que gastar, ele receberá créditos. Do contrário, a cidade fica em débito.

“Durante o dia, injetamos a eletricidade na rede da Cemig. Brincamos que o relógio (medidor) anda para trás. Á noite ou quando a placa não funcionar devido a outros fatores, o processo se inverte”, explica. Mais sobre energia fotovoltaica na página 16.