Cleitinho afirma que vai ser candidato ao governo de Minas

Senador confirma que seu vice será o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos) e pede que a direita se unifique em torno de seu nome
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Cleitinho afirma que vai ser candidato ao governo de Minas
Cleitinho Azevedo | Foto: Andressa Anholete/ Agência Senado

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), depois de meses de indefinição, afirma que será candidato ao governo de Minas. O parlamentar aparece liderando as principais pesquisas de intenção de voto para a corrida ao Palácio Tiradentes. O anúncio foi feito na Praça do Santuário, na região Central de Divinópolis, sua cidade natal, na noite desta quarta-feira (29). Ele anunciou que o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), que participou do evento ao seu lado, será vice na chapa.

O posicionamento público do senador veio logo depois de o Republicanos comunicar, por meio de nota, que não iria lançar o senador Cleitinho como candidato ao governo de Minas Gerais sob a argumentação dele não ter participado da convenção do partido, no último sábado (25), e da demora de meses de uma decisão do parlamentar.

O senador se desculpou com os correligionários e com os presidentes estadual e nacional do partido, alegando que ainda está de luto pela morte do seu irmão Matheus Azevedo no último dia 18. “Peço desculpas se eu incomodei alguém do partido, mas eu ainda estou de luto, sem clima para lançar candidatura a nada”, pontuou o político. Em relação à sua ausência na convenção do Republicanos, no último sábado (25), Cleitinho disse que avisou ao presidente nacional que não tinha condições de comparecer.

Cleitinho contou também que ele e Falcão tentaram conversar hoje com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, mas sem sucesso. “Vou deixar o povo escolher, espero que essa direita que disse que precisa se unir, que se una comigo”, afirmou.

Sobre a demora para se posicionar, Cleitinho explicou que, em janeiro, a leucemia do irmão voltou e, diante disso, ele prometeu à família que não ia decidir nada enquanto Matheus não melhorasse.

Existia a expectativa de que Cleitinho anunciasse uma decisão até a data da convenção estadual, mas, além da ausência, não houve definição. Um dia depois do evento, no domingo, o senador enviou carta ao presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, dizendo que não havia desistido de ser candidato a governador e completou que não estava se manifestando publicamente devido ao luto pela morte do irmão. No último sábado, dia da convenção, foi o sétimo dia da morte do irmão do senador.

Rivalidades e alianças

Questionado sobre alguma possível rivalidade com Marcelo Aro (Progressistas), o senador disse que “em todas as conversas que eu tive com o Marcelo Aro, ele falou que ia me apoiar”. Desde a nota do Republicanos, Aro vinha sendo cotado para assumir o lugar de Cleitinho na disputa pelo Palácio Tiradentes.

“Qual partido que vai querer perder um candidato que está liderando as pesquisas. Inclusive eu já aviso ao partido que não vou usar nem fundo eleitoral, coisa que eu nunca usei nas minhas campanhas. É o povo que vai fazer campanha para mim. Se eu for eleito, serei o candidato que foi eleito e que menos gastou na história de Minas”, disse Cleitinho.

De acordo com avaliação das lideranças do Republicanos, Cleitinho, apesar de liderar isolado as pesquisas, é um político considerado instável e que gera incômodo por fazer ataques à classe política. Existe, inclusive, o temor de que o senador faça críticas, durante uma eventual campanha ao governo de Minas, aos seus correligionários.

Cleitinho, antes de todo esse imbróglio, era o candidato preferido por vários partidos: Republicanos, PL, Progressistas, União Brasil e Podemos. Agora, o seu novo posicionamento vai impactar nas alianças que estavam sendo costuradas.

Leia a íntegra da nota do Republicanos:

“O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen afirma que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo pela legenda. Este entusiasmo, porém, não foi correspondido até o dia da Convenção Estadual, ocorrida dia 25 de julho.

Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador. Em razão dessa expectativa, diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura.

Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.

A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos – apesar das justificativas pessoais – representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral.

O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.

O Republicanos respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas também tem o dever de conduzir seu projeto político com responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira.

Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.

Republicanos de Minas Gerais Executiva Estadual

Republicanos Executiva Nacional”

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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