Sete em cada dez empresários consideram o trânsito de BH ruim ou péssimo

Levantamento revela preocupação com estacionamento, logística e transporte público, como fatores que afetam diretamente a atividade econômica da Capital
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Sete em cada dez empresários consideram o trânsito de BH ruim ou péssimo
Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo Diário do Comércio

Sete em cada dez empresários do comércio varejista de Belo Horizonte classificam o trânsito na cidade como ruim ou péssimo. Os dados, publicados na última sexta-feira (31), fazem parte de um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG).

O estudo também revela que os maiores problemas apontados pelos entrevistados foram o custo de estacionamento e a dificuldade de carga e descarga. Os fatores, segundo eles, afetam diretamente a operação e a circulação dos clientes no comércio.

Além disso, 49,9% das empresas afirmam ser impactadas pelo aumento das tarifas do transporte público, enquanto 66,2% acreditam que as restrições à circulação de caminhões contribuem para o aumento do custo do frete, reforçando a influência da mobilidade urbana sobre a atividade econômica.

Veja outros números da pesquisa

Tabela com dados sobre os impactos da mobilidade urbana no comércio de BH

Congestionamentos revelam desafios estruturais da cidade

Professor dos cursos de Gestão e Negócios do Centro Universitário UniBH, o economista Fernando Sette afirma que os entraves causados pela mobilidade urbana ao comércio vão muito além da infraestrutura viária.

“Ele [o problema] evidencia desafios estruturais relacionados ao planejamento urbano, ao uso e ocupação do solo, à qualidade e integração do transporte coletivo, à logística urbana, à gestão inteligente do tráfego e à coordenação entre as políticas de mobilidade e desenvolvimento econômico. Em outras palavras, o congestionamento é um sintoma de um sistema de mobilidade que não consegue acompanhar a dinâmica de crescimento da cidade e das atividades econômicas”, explica.

Para o especialista, a mobilidade tornou-se, do ponto de vista econômico, um fator estratégico de competitividade. Cidades que oferecem deslocamentos rápidos, previsíveis e eficientes reduzem custos para empresas e consumidores, aumentam a produtividade, atraem investimentos e favorecem a geração de empregos.

Gargalos da mobilidade geram custos invisíveis para as empresas

Segundo o docente, os congestionamentos produzem diversos custos que nem sempre aparecem diretamente na contabilidade das empresas, mas comprometem sua eficiência. Entre eles estão a perda de produtividade dos trabalhadores, o aumento do consumo de combustível, o desgaste mais acelerado dos veículos, atrasos em entregas, elevação dos custos de frete, necessidade de manter estoques maiores e maior imprevisibilidade das operações logísticas.

“As dificuldades para carga e descarga, por exemplo, elevam o tempo e o custo da logística, comprometem o abastecimento dos estabelecimentos e reduzem a eficiência das cadeias de suprimentos”. O resultado, conforme Sette, é um ambiente de negócios menos atrativo, especialmente para pequenas e médias empresas, que possuem menor capacidade de absorver esses custos adicionais. “Esses fatores acabam sendo incorporados ao preço final de produtos e serviços, reduzindo a competitividade das empresas locais”, completa.

Há ainda, de acordo com o professor, um aspecto fundamental sob a ótica econômica: o custo de oportunidade. O tempo gasto em congestionamentos deixa de ser utilizado em atividades produtivas, atendimento a clientes, inovação, qualificação profissional ou mesmo lazer, que também possui valor econômico e social.

“Da mesma forma, recursos financeiros destinados a compensar ineficiências logísticas deixam de ser investidos na expansão dos negócios, em tecnologia ou na contratação de novos trabalhadores. Esse custo invisível reduz o potencial de crescimento da economia de Belo Horizonte e limita sua capacidade de competir com outros grandes centros urbanos”, analisa.

Por fim, Fernando Sette afirma que melhorar a mobilidade urbana significa não apenas reduzir congestionamentos, mas liberar tempo e recursos para atividades de maior valor agregado, aumentar a produtividade, fortalecer a competitividade das empresas e impulsionar o desenvolvimento econômico.

“Belo Horizonte precisa combinar investimentos em infraestrutura com soluções de gestão, tecnologia, transporte público de qualidade, digitalização de serviços e planejamento urbano integrado para criar um ambiente mais favorável aos negócios”, conclui.

Realizado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, o levantamento foi feito entre os dias 10 e 26 de maio com 393 empresas, havendo pelo menos 40 em cada região de planejamento (Barreiro, Centro-sul, Leste, Nordeste, Noroeste, Norte, Oeste, Pampulha e Venda Nova). A margem de erro é de 4,95%, a um intervalo de confiança de 95%, segundo a Federação.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa e assessoria de imprensa. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/daniel-de-andrade-1b845526

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