Sete em cada dez empresários consideram o trânsito de BH ruim ou péssimo
Sete em cada dez empresários do comércio varejista de Belo Horizonte classificam o trânsito na cidade como ruim ou péssimo. Os dados, publicados na última sexta-feira (31), fazem parte de um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG).
O estudo também revela que os maiores problemas apontados pelos entrevistados foram o custo de estacionamento e a dificuldade de carga e descarga. Os fatores, segundo eles, afetam diretamente a operação e a circulação dos clientes no comércio.
Além disso, 49,9% das empresas afirmam ser impactadas pelo aumento das tarifas do transporte público, enquanto 66,2% acreditam que as restrições à circulação de caminhões contribuem para o aumento do custo do frete, reforçando a influência da mobilidade urbana sobre a atividade econômica.
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Veja outros números da pesquisa

Congestionamentos revelam desafios estruturais da cidade
Professor dos cursos de Gestão e Negócios do Centro Universitário UniBH, o economista Fernando Sette afirma que os entraves causados pela mobilidade urbana ao comércio vão muito além da infraestrutura viária.
“Ele [o problema] evidencia desafios estruturais relacionados ao planejamento urbano, ao uso e ocupação do solo, à qualidade e integração do transporte coletivo, à logística urbana, à gestão inteligente do tráfego e à coordenação entre as políticas de mobilidade e desenvolvimento econômico. Em outras palavras, o congestionamento é um sintoma de um sistema de mobilidade que não consegue acompanhar a dinâmica de crescimento da cidade e das atividades econômicas”, explica.
Para o especialista, a mobilidade tornou-se, do ponto de vista econômico, um fator estratégico de competitividade. Cidades que oferecem deslocamentos rápidos, previsíveis e eficientes reduzem custos para empresas e consumidores, aumentam a produtividade, atraem investimentos e favorecem a geração de empregos.
Gargalos da mobilidade geram custos invisíveis para as empresas
Segundo o docente, os congestionamentos produzem diversos custos que nem sempre aparecem diretamente na contabilidade das empresas, mas comprometem sua eficiência. Entre eles estão a perda de produtividade dos trabalhadores, o aumento do consumo de combustível, o desgaste mais acelerado dos veículos, atrasos em entregas, elevação dos custos de frete, necessidade de manter estoques maiores e maior imprevisibilidade das operações logísticas.
“As dificuldades para carga e descarga, por exemplo, elevam o tempo e o custo da logística, comprometem o abastecimento dos estabelecimentos e reduzem a eficiência das cadeias de suprimentos”. O resultado, conforme Sette, é um ambiente de negócios menos atrativo, especialmente para pequenas e médias empresas, que possuem menor capacidade de absorver esses custos adicionais. “Esses fatores acabam sendo incorporados ao preço final de produtos e serviços, reduzindo a competitividade das empresas locais”, completa.
Há ainda, de acordo com o professor, um aspecto fundamental sob a ótica econômica: o custo de oportunidade. O tempo gasto em congestionamentos deixa de ser utilizado em atividades produtivas, atendimento a clientes, inovação, qualificação profissional ou mesmo lazer, que também possui valor econômico e social.
“Da mesma forma, recursos financeiros destinados a compensar ineficiências logísticas deixam de ser investidos na expansão dos negócios, em tecnologia ou na contratação de novos trabalhadores. Esse custo invisível reduz o potencial de crescimento da economia de Belo Horizonte e limita sua capacidade de competir com outros grandes centros urbanos”, analisa.
Por fim, Fernando Sette afirma que melhorar a mobilidade urbana significa não apenas reduzir congestionamentos, mas liberar tempo e recursos para atividades de maior valor agregado, aumentar a produtividade, fortalecer a competitividade das empresas e impulsionar o desenvolvimento econômico.
“Belo Horizonte precisa combinar investimentos em infraestrutura com soluções de gestão, tecnologia, transporte público de qualidade, digitalização de serviços e planejamento urbano integrado para criar um ambiente mais favorável aos negócios”, conclui.
Realizado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, o levantamento foi feito entre os dias 10 e 26 de maio com 393 empresas, havendo pelo menos 40 em cada região de planejamento (Barreiro, Centro-sul, Leste, Nordeste, Noroeste, Norte, Oeste, Pampulha e Venda Nova). A margem de erro é de 4,95%, a um intervalo de confiança de 95%, segundo a Federação.
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