Preço do suíno cai 32% e suinocultura opera com preços abaixo do custo no Estado

Preço do suíno vivo recua em Minas, pressiona margens dos produtores e coloca mercado, eficiência e inovação no centro de Fórum estadual
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Preço do suíno cai 32% e suinocultura opera com preços abaixo do custo no Estado
Excesso de oferta derrubou o preço pago pelos animais e colocou a atividade em um cenário de margens negativas em Minas Gerais | Foto: Divulgação Asemg

Em 2026, a suinocultura de Minas Gerais enfrenta margens pressionadas, após encerrar o ano anterior com lucro líquido médio de 19%. O excesso de oferta derrubou os preços para patamares inferiores ao custo de produção e desestimulou o setor. Em 17 de setembro, o quilo do animal vivo era negociado a R$ 5,80, ante R$ 8,50 no mesmo período de 2025. Apesar da recuperação em relação aos R$ 5,30 registrados na semana anterior, o valor permanece abaixo do custo médio, estimado em R$ 6,00 por quilo.

Diante dos desafios e buscando tornar a produção cada vez mais eficiente, suinocultores de Minas Gerais e de outros estados produtores poderão participar, de 21 a 23 de setembro, da 7ª edição do Fórum Estadual da Suinocultura. O evento será on-line, com inscrições gratuitas que podem ser feitas na plataforma Sympla. A iniciativa tem o objetivo de levar ao produtor informações relevantes, que impactem diretamente no dia a dia do negócio.

Conforme a gerente-executiva da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), Bianca Costa, o setor enfrenta queda de preços desde o início do ano, em razão do aumento da oferta. Em 17 de setembro, o quilo do animal vivo era cotado a R$ 5,80 no Estado, R$ 2,70 abaixo dos R$ 8,50 registrados no mesmo período do ano passado. A retração foi de 31,8%.

O custo médio de produção em Minas Gerais, calculado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), está em torno de R$ 6,00 por quilo. Mesmo após a recente recuperação da cotação, o produtor ainda enfrenta uma diferença negativa de R$ 0,20 por quilo. Os custos são menores no Triângulo Mineiro e em Pará de Minas, devido à produção local de grãos, e superam a média estadual na Zona da Mata, em razão das despesas logísticas e da menor oferta regional de grãos.

“A crise atual é explicada por uma superprodução nacional. Houve avanço na produtividade devido a melhorias em genética, nutrição e tecnologia, com a taxa de desmamados por porca ao ano subindo de 30 para 35, e chegando a 40 em granjas modelo. Além disso, os produtores expandiram o plantel”, explica a gerente.

Oferta elevada amplia pressão sobre o setor

A gerente-executiva da Asemg acrescenta ainda que outro fator de impacto foi a saída, a partir de janeiro, de uma grande agroindústria do mercado spot da região Sul, principal polo produtor do País. “A empresa adquiria cerca de 30 mil animais por semana, com a saída, houve um excedente de oferta que pressionou os preços em outras regiões, incluindo Minas Gerais”, analisa.

Enquanto a oferta está em alta, o consumo interno segue estável. As exportações cresceram, mas ainda representam uma parcela pequena quando comparadas à demanda interna. O consumo per capita em Minas Gerais é de 27,4 quilos por habitante ao ano, superior à média nacional de 19 a 20 quilos anuais.

Quanto aos embarques, a negociação da carne suína mineira com o mercado externo gerou US$ 53,7 milhões em receita nos primeiros sete meses do ano, 18,9% a mais, sustentada por uma expressiva expansão de 30,6% no volume embarcado (27,2 mil toneladas).

Fórum aborda mercado, mão de obra e Inteligência Artificial

Com o mercado desfavorável para a atividade, a busca pela eficiência é cada vez mais necessária. Assim, na 7ª edição do Fórum Estadual da Suinocultura, produtores de Minas Gerais poderão se inteirar de assuntos importantes e selecionados através de levantamentos feitos junto à cadeia.

Este ano, o evento será on-line e transmitido pelo YouTube para englobar produtores associados e não associados, equipes de granja e a área comercial. “A decisão pelo formato on-line atendeu a pedidos dos produtores, que relataram dificuldades para se deslocar devido à crise e ao excesso de eventos presenciais. A programação foi definida com base em uma pesquisa realizada com cerca de 200 produtores de granjas padrão SIF”, confirma Bianca Costa.

O evento começa no dia 21 de setembro, às 10 horas, com o economista e profissional de inteligência de mercado na Safras & Mercado, Fernando Iglesias, com a palestra “Mercado de Suínos: Desafios, Tendências e Perspectivas: Uma leitura dos números, dos cenários e dos movimentos que apontam para o futuro”.

No dia 22 de setembro, o evento abordará um dos maiores desafios enfrentados pelo setor, a falta de mão de obra. A psicóloga e advogada trabalhista, com atuação como consultora nas áreas Trabalhista e Organizacional, Paôla Linhares, ministrará a palestra “Mão de obra na Suinocultura: O desafio de atrair, reter e formar equipes”.

A busca por tecnologia e inovação para as granjas também está na grade do Fórum e será abordada na palestra “Inteligência Artificial na Suinocultura: Aplicações práticas para a operação nas granjas”, a ser ministrada pela gerente-executiva da Asemg, Bianca Costa.

“O Fórum da Suinocultura é um evento conhecido e entendido pelo produtor como um momento de escuta e aprendizado, onde a proposta é entregar ao suinocultor o que ele precisa de mais urgente para aprimorar o negócio”, finaliza a representante da associação.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas