Agronegócio

Exportações do agro mineiro caem 13,6% no primeiro trimestre

Apesar da queda no faturamento, setor mantém a liderança na pauta exportadora do Estado e busca diversificação
Exportações do agro mineiro caem 13,6% no primeiro trimestre
Grãos de café | Foto: Divulgação / Cooxupé

As exportações do agronegócio em Minas Gerais encerraram os primeiros três meses de 2026 com queda de 13,6% no faturamento, quando comparadas com o mesmo período de 2025, e movimentaram US$ 3,93 bilhões. Em volume, os embarques do setor também recuaram 11,2%, destinando ao mercado externo cerca de 2,8 milhões de toneladas de produtos agrícolas e pecuários.

Houve também retração dos preços médios da tonelada, que, no período, recuaram 2,7%. Entre os produtos, o café segue sendo o mais exportado, apesar da queda de 18,5% no faturamento e de 31,5% no volume.

Conforme dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), com o resultado, as exportações do agronegócio mineiro responderam por 38,5% do total embarcado pelo Estado entre janeiro e março de 2026, cujo valor chegou a US$ 10,2 bilhões. Apesar de ter registrado queda no faturamento, o agronegócio seguiu como o principal item da pauta exportadora do Estado.

A assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira, explica que, ao longo do primeiro trimestre, uma série de fatores interferiu nos embarques, provocando a queda, mas destaca que o resultado não significa perda estrutural de competitividade.

“Esse desempenho não deve ser interpretado como perda estrutural de competitividade, mas como resultado da combinação entre menor disponibilidade exportável em algumas cadeias, sazonalidade de embarques, preços internacionais e elevada concentração da pauta mineira em poucos grupos, especialmente o café. Para os próximos meses, há expectativa de melhora, especialmente com a entrada da nova safra cafeeira e a possibilidade de maior disponibilidade exportável. Ao mesmo tempo, carnes, derivados da soja e fibras e produtos têxteis aparecem como vetores positivos, contribuindo para reduzir a dependência do café e reforçar a diversificação da pauta exportadora do agronegócio mineiro”, detalha.

Ao longo do primeiro trimestre, os produtos do agronegócio mineiro foram enviados para 155 países, com destaque para a China (US$ 713,1 milhões), os Estados Unidos (US$ 387,8 milhões), a Alemanha (US$ 384,1 milhões), a Itália (US$ 307,8 milhões) e o Japão (US$ 193,8 milhões).

Principais produtos exportados pelo agronegócio de Minas Gerais

Entre os principais produtos exportados, o café e o complexo soja encerraram o trimestre com desempenho inferior ao registrado no ano passado. Já os grupos de carnes e de produtos têxteis tiveram alta nos embarques.

No caso do café, a movimentação financeira gerada com a comercialização internacional chegou a US$ 2,63 bilhões, queda de 18,5% frente aos US$ 2,9 bilhões movimentados entre janeiro e março de 2025. No período, os embarques foram 31,5% menores e somaram 321,8 mil toneladas. Quanto ao preço da tonelada, o valor aumentou 15,9%, com a cotação a US$ 7.341,97. Mesmo com a retração, o café liderou os embarques do setor, respondendo por 60,1% das exportações do agronegócio.

Segundo Manoela Teixeira, a retração no comércio internacional do café é explicada, principalmente, pelo menor volume embarcado, associado ao ciclo de oferta, aos efeitos da safra anterior e à menor disponibilidade do produto em parte do período.

“Ainda assim, o valor médio das exportações de café avançou 18,9%, o que mostra que os preços permaneceram em patamar elevado e amorteceram parte da queda de receita. Com o início da colheita e a expectativa de uma safra superior à do ano passado, há possibilidade de melhora no desempenho ao longo dos próximos meses, sobretudo pela recomposição gradual da oferta física e pela maior capacidade de embarque”, pontua.

A analista da Seapa explica ainda que a retomada do faturamento dos embarques dependerá também do comportamento dos preços internacionais: “Uma safra maior tende a favorecer o volume exportado, mas pode exercer pressão sobre as cotações caso haja ampliação relevante da oferta global. Portanto, a expectativa é de recuperação mais clara em volume, enquanto a receita dependerá do equilíbrio entre maior quantidade embarcada e eventual ajuste de preços”.

O complexo soja, que responde por 13% dos embarques, registrou queda de 11,2% no faturamento e de 16,7% no volume. No período, a exportação de 1,2 milhão de toneladas gerou uma receita de US$ 510 milhões.

Manoela Teixeira destaca que, apesar da queda no complexo soja, a composição interna do grupo foi mais favorável nos derivados. Isso porque o embarque do farelo de soja cresceu 60,5% em valor e 49,4% em volume, enquanto o óleo de soja avançou 20,8% em valor e 11,4% em volume.

“Isso indica maior participação relativa de produtos com algum nível de processamento, o que é positivo do ponto de vista da agregação de valor. Além disso, a perspectiva de safra nacional elevada pode favorecer maior disponibilidade de soja e derivados nos próximos meses, embora o preço internacional continue sendo fator determinante para o faturamento”, esclarece.

Carnes e produtos têxteis encerram trimestre com exportações em alta

Entre os destaques positivos, o grupo de carnes exportou 117 mil toneladas, 2% a mais. Assim, o faturamento (US$ 419 milhões) cresceu 8,7%. Entre as principais proteínas exportadas, o faturamento da carne bovina subiu 10,1%, enquanto o volume caiu 2,1%. Foram destinadas ao mercado externo 55,4 mil toneladas, gerando receita de US$ 295,6 milhões.

No trimestre, as exportações de frango movimentaram US$ 97,06 milhões, alta de 2,4%. O volume, de 49,7 mil toneladas, cresceu 1,9%. Os embarques de carne suína, de 11,02 mil toneladas, geraram receita de US$ 22,4 milhões, com crescimento de 31,1% e de 24,7%, respectivamente.

As exportações de produtos têxteis também subiram no período. No faturamento (US$ 24 milhões), a alta chegou a 11,7%. Em volume exportado, o incremento chegou a 44,9%, com o embarque de 14,1 mil toneladas.

“O desempenho do grupo de fibras e produtos têxteis foi puxado, principalmente, por algodão e produtos têxteis de algodão, que avançaram 12,1% em valor e 45,1% em volume. Embora tenha menor peso relativo na pauta agroexportadora de Minas, o segmento sinaliza diversificação e dinamismo em uma cadeia vinculada à produção agrícola e à indústria de transformação”, detalha a assessora técnica da Seapa.

No complexo sucroalcooleiro, a receita caiu 8,4% (US$ 240,1 milhões), mas o volume exportado cresceu 17,1%, atingindo 650,5 mil toneladas. O crescimento em volume foi impulsionado pelo açúcar de cana, com alta de 19,5%.

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