Importações batem recorde e derrubam superávit da balança comercial de Minas Gerais no primeiro semestre
Impulsionada por um salto de 12,1% nas importações, somada a uma leve queda de 0,2% nas exportações, a balança comercial de Minas Gerais fechou o primeiro semestre de 2026 com recuo de 8,1% no superávit ante o mesmo período de 2025, conforme dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
O valor importado pelo Estado alcançou US$ 9,6 bilhões, o maior patamar para os primeiros seis meses de um ano desde o início da série histórica do levantamento, em 1997, enquanto o exportado chegou a US$ 21,9 bilhões. Com isso, o saldo positivo acumulado do comércio exterior do Estado atingiu US$ 12,3 bilhões.
O avanço observado nas compras mineiras foi liderado por medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários, com alta interanual de 47,7%, totalizando US$ 550,2 milhões. Na sequência vieram veículos para transporte de mercadorias e usos especiais (+81,8% / US$ 413,8 milhões) e veículos de passageiros (+42,3% / US$ 407,9 milhões).
“Minas vem se fortalecendo como um polo para distribuição de medicamentos importados”, pontua o analista de Negócios Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Cristian Wallace Lopes, sobre o crescimento das importações de medicamentos e produtos farmacêuticos. Ainda segundo ele, o aumento do valor importado de veículos tem relação com movimento de renovação de frotas e aquisição de eletrificados.
Do lado das vendas, os principais propulsores do resultado negativo foram o minério de ferro, com queda de 2%, para US$ 5,4 bilhões, e o café não torrado (-17,9% / US$ 4,5 bilhões). A retração não foi mais intensa em razão de incrementos significativos, por exemplo, do ouro (+64,5% / US$ 2,3 bilhões).
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De acordo com Lopes, houve impacto de uma redução nas exportações de minério de ferro para países do Oriente Médio, principalmente em decorrência dos conflitos na região. O analista também chama atenção para atrasos na colheita do café em função de questões climáticas. E relembra a forte valorização do ouro desde o fim do ano passado.
Saldo positivo retrai 4,6% em junho também motivado por recorde nas compras
Em cenário semelhante ao ocorrido no acumulado do primeiro semestre, o superávit da balança comercial de Minas Gerais retraiu 4,6% em junho de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado, motivado por um resultado histórico das importações.
No mês, o saldo do Estado ficou positivo em US$ 2,2 bilhões, com as vendas alcançando US$ 4 bilhões e as compras, US$ 1,8 bilhão. O valor exportado pelo Estado cresceu 8,4% no confronto interanual, mas o importado subiu 29,6%, atingindo o maior nível para meses de junho desde que a série histórica do Comex Stat começou, em 1997.
Neste caso, o minério de ferro liderou a pauta de exportações com alta de 10,9%, para US$ 1,1 bilhão, e a soja foi o terceiro produto mais vendido (+33% / US$ 421,1 milhões). Na segunda posição permaneceu o café não torrado (+1,3% / US$ 658,9 milhões).
Já do lado das importações, o principal destaque ficou com adubos ou fertilizantes químicos, exceto fertilizantes brutos, com avanço de 10%, somando US$ 94,9 milhões. Em seguida vieram veículos de passageiros (+92,4% / US$ 84,8 milhões) e motores e máquinas não elétricas, exceto motores de pistão e geradores (+294,1% / US$ 84,6 milhões).
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