Saldo da balança comercial de Minas Gerais registra queda de 24,9% em outubro
A balança comercial de Minas Gerais registrou superávit de US$ 2 bilhões em outubro deste ano, uma queda de 24,9% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 2,67 bilhões. Os dados são do Comex Stat, plataforma da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado reflete a redução de 10,9% nas exportações mineiras, que passaram de US$ 4,35 bilhões para US$ 3,87 bilhões, na comparação anual. As importações avançaram 11,2%, de US$ 1,68 bilhão para US$ 1,87 bilhão, no mesmo período.
Na pauta de exportações da balança comercial mineira, o café permaneceu como principal produto vendido ao exterior, com US$ 1,15 bilhão enviados, apesar da retração de 3% em relação a outubro de 2025. Na segunda posição, o minério de ferro registrou queda de 34,6%, passando de US$ 1,17 bilhão para US$ 766,4 milhões.
Também houve recuos nas exportações de carne bovina congelada (50,7%), soja (32,1%) e açúcar (16,3%). Em sentido contrário, as vendas externas de ouro saltaram 26%, para US$ 375 milhões, enquanto as de ferro-ligas avançaram 33,2%, alcançando US$ 263,4 milhões.
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Importações na balança comercial de Minas Gerais
No campo das importações, os produtos farmacêuticos e biológicos, incluindo vacinas e itens utilizados em tratamentos médicos, lideraram as compras externas do Estado em outubro, com US$ 116,5 milhões.
Também se destacaram os fertilizantes nitrogenados, cujas importações cresceram 53,8% na comparação anual, para US$ 108,7 milhões, e os veículos de carga, com alta de 67,4%, para US$ 95,5 milhões.
De acordo com o analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Felipe Ramon de Britto, um dos principais pontos de atenção foi o desempenho das exportações mineiras em relação ao resultado nacional. Enquanto as vendas externas brasileiras cresceram 20% em outubro, Minas Gerais registrou retração de aproximadamente 11% na comparação com setembro.
Demanda chinesa pressiona exportações mineiras
O especialista destaca que a queda nas exportações de minério de ferro, equivalente a cerca de US$ 405 milhões, teve peso importante no resultado. “O movimento está relacionado à menor demanda da China, destino de aproximadamente 80% dos embarques mineiros do produto. A desaceleração do setor imobiliário chinês e o excesso de oferta no mercado internacional também ajudam a explicar esse cenário”, argumenta.
Outro ponto de atenção citado por Britto é a carne bovina, cujas exportações registraram queda expressiva no último mês. O analista aponta que o setor enfrenta restrições no comércio internacional, incluindo a previsão de sobretaxa superior a 55% sobre os volumes destinados à China que excedam a cota estabelecida.
Ele também menciona dificuldades nos embarques para a União Europeia relacionadas às exigências quanto ao uso de antimicrobianos na criação de animais. Segundo o analista, as exportações mineiras de carne bovina para a China recuaram 75% em valor.
Em contrapartida, o crescimento das exportações de ouro e ferro-ligas ajudou a compensar parcialmente as perdas. Para Britto, no caso das ferro-ligas, o avanço foi impulsionado pela maior demanda chinesa por ferronióbio, movimento que, segundo ele, apresenta tendência de continuidade. Já a valorização do ouro, segundo ele, está relacionada ao cenário de instabilidade internacional e ao aumento dos conflitos geopolíticos, que ampliam a procura pelo metal como ativo de proteção.
Alta das importações amplia desafios para a indústria mineira
O analista chama atenção ainda para os efeitos dos conflitos no Oriente Médio sobre o mercado de fertilizantes. Segundo ele, as dificuldades no abastecimento de ureia e as interrupções na produção elevaram os preços do insumo, utilizado na fabricação de fertilizantes. “A importação de ureia ficou tão cara que algumas fábricas em Minas Gerais, que dependem dessa matéria-prima para produzir fertilizantes, chegaram a paralisar suas atividades”, afirma Britto.
Outro movimento observado é o aumento das importações de veículos de carga e máquinas. De acordo com o especialista, parte da produção nacional de máquinas agrícolas vem sendo substituída por equipamentos mais baratos adquiridos de países como China e Índia. Ele também aponta o crescimento das compras de veículos chineses como um dos fatores que contribuíram para o avanço das importações e, consequentemente, para a redução do superávit comercial mineiro.
Para os próximos meses, o analista avalia que o cenário permanece desafiador. Entre os fatores de preocupação estão os possíveis efeitos do El Niño e de outros eventos climáticos sobre as exportações, além da perspectiva de crescimento mais moderado da economia chinesa, que tende a limitar a demanda por determinados produtos mineiros.
Britto também chama a atenção para o aumento da entrada de produtos estrangeiros a preços considerados desleais pela indústria nacional, especialmente no setor siderúrgico e de ferro-ligas. “É preciso ter mais agilidade e atenção ao aumento das importações, que têm contribuído para a ociosidade de diversas fábricas no País”, alerta o analista.
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