Bolsonaro pode oficializar repasse para metrô da Capital em junho

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Bolsonaro pode oficializar repasse para metrô da Capital em junho
Grupo paulista será responsável pela gestão, operação e manutenção do modal na Capital | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

O presidente Jair Bolsonaro (PL) pretende vir pessoalmente à capital mineira em junho para o repasse oficial dos R$ 2,8 bilhões que a União vai destinar à modernização e expansão do metrô de Belo Horizonte. Porém, agora ancorado por um modelo de concessão à iniciativa privada, o projeto depende da conclusão do edital que está sendo elaborado pelo Executivo estadual, bem como dos R$ 400 milhões que serão aportados pelo governo mineiro.

A publicação do documento já foi adiada diversas vezes e a última previsão era que ocorresse até o fim deste mês. Mas, conforme o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato, como o projeto inclui a desestatização da seção de Minas Gerais da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o processo segue em análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Já foram realizadas as audiências públicas em um processo coordenado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pelos estudos de viabilidade e minutas de edital e contrato. A instituição conduz o processo de desestatização conjuntamente com o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), o Ministério da Economia e o Governo de Minas. “O governo estadual está dando todo o apoio e respaldo para que o edital possa ser publicado o quanto antes”, disse.

Desestatização

A cisão vai permitir a concessão da Linha 1 (Vilarinho/Eldorado, a única existente) e da Linha 2 (Nova Suíça/Barreiro). Conforme o projeto, a linha 2, assim como a extensão da Linha 1 até o bairro Novo Eldorado, em Contagem, ainda será construída. Conforme já publicado, o objetivo é que os ramais estejam em operação em 2027. Ao todo, estão previstos investimentos públicos da ordem de R$ 3,2 bilhões e outros R$ 500 milhões da iniciativa privada.

Assim como a revitalização do Anel Rodoviário e da duplicação da BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares, a ampliação do metrô da Capital integra a lista das obras esperadas pelos mineiros há décadas. O projeto já foi objeto de diversos anúncios de presidentes e políticos em passagens pela capital mineira.

Em setembro do ano passado, Bolsonaro esteve na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, no Vetor Norte da Capital, e sancionou a lei que libera os recursos federais para o projeto. Na época, apenas o governador Romeu Zema (Novo) participou da solenidade. O então prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), não.

A próxima vinda do presidente à Capital para tratar sobre o projeto do metrô, porém, deverá ser diferente. Segundo o senador mineiro Carlos Viana, pré-candidato ao governo de Minas pelo PL, e um dos principais interlocutores da pauta com a União, disse que o prefeito Fuad Noman (PSD) receberá Bolsonaro em junho.

“Me reuni com o prefeito Fuad, falamos sobre uma possível vinda do presidente e ele abrirá as portas da Prefeitura para recebê-lo. A ideia é que Bolsonaro faça a entrega oficial dos R$ 2,8 bilhões para a privatização do metrô”, afirmou.

Viana ponderou, no entanto, que antes disso o edital precisa ser publicado e o leilão realizado, como previsto pela última vez, em maio. O adversário de Zema falou que sem o cumprimento dos prazos e a liberação dos recursos estaduais, a concessão do metrô de Belo Horizonte poderá não ocorrer em 2022.

“Me recuso a acreditar que o governo de Minas faria isso. Mas já há quem diga que o Executivo estadual não vai aplicar os R$ 400 milhões com os quais havia se comprometido. Se o Estado não entrar, a privatização do metrô não sai esse ano. Será necessário um novo trabalho de pesquisa para que a União assuma a totalidade do projeto”, explicou.

Questionado sobre a garantia dos recursos, o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade negou que haja qualquer impedimento. “Não existe qualquer impasse em relação aos valores que o Estado vai contribuir. São recursos que já constam do acordo com a Vale para reparações do rompimento da Barragem em Brumadinho (RMBH)”, argumentou Marcato.

Recursos para o metrô

Vale dizer que o acordo entre os governos federal e estadual é que promete viabilizar a tão sonhada ampliação do metrô da Capital. Estima-se que, como resultado da parceria que inclui ainda a iniciativa privada, o metrô transporte diariamente até 260 mil passageiros.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), o governo federal vai investir R$ 2,8 bilhões para viabilizar a construção da Linha 2 do metrô, além de obras de modernização e ampliação da Linha 1, intervenções contidas no processo de desestatização da CBTU. Metade dos recursos (R$ 1,6 bilhão) será destinada aos custos da companhia, como dívidas e acertos trabalhistas. O restante ficará disponível via BNDES para que a empresa vencedora do leilão utilize a partir de um cronograma de obras aprovado e cumprido.

O aporte da União será feito por meio da capitalização da Veículo de Desestatização MG (VDMG), empresa que será criada exclusivamente para o processo de desestatização. Os investimentos totais estão estimados em R$ 3,7 bilhões e serão complementados pela iniciativa privada, a partir da concessão.

Linhas 1 e 2

A Linha 1 do metrô de Belo Horizonte liga Contagem, na região metropolitana, à capital mineira. São 28,1 quilômetros de extensão e 19 estações para passageiros. As intervenções previstas após a concessão envolvem reforma de estações, compra de trens novos e tecnológicos, resultando em melhoria da qualidade do serviço, mais conforto, acessibilidade, segurança e maior regularidade nas viagens.

Adicionalmente, o trecho será ampliado até a Estação Novo Eldorado, em Contagem, agregando aproximadamente 1 quilômetro à extensão.

Já a Linha 2 deverá ser construída para ligar o bairro Calafate à região do Barreiro, ambos em Belo Horizonte. Ela terá aproximadamente 10 quilômetros de extensão e sete estações, conectando o Barreiro à Linha 1 na estação Nova Suíça.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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