Diversificação da economia depende de ação conjunta entre governo, empresas e inovação, dizem especialistas

Representantes de diversos setores destacam a importância de valor agregado e qualificação para atrair investimentos no Estado
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Diversificação da economia depende de ação conjunta entre governo, empresas e inovação, dizem especialistas
Foto: Diário do Comércio / Juliana Sodré

A diversificação da economia de Minas Gerais foi apontada como um dos principais caminhos para ampliar a competitividade do Estado e atrair novos investimentos durante o painel de encerramento do evento Eloos Itatiaia Indústria, realizado nesta segunda-feira (3). Representantes do setor público, da indústria farmacêutica e da comunicação defenderam que o crescimento passa pela agregação de valor às cadeias produtivas, inovação, qualificação da mão de obra e atuação coordenada entre governo e iniciativa privada.

A presidente da InvestMinas, Milena Pedrosa, destacou que Minas possui uma base econômica ampla, com atuação em 51 setores estratégicos acompanhados pela agência de promoção de investimentos. Segundo ela, o Estado precisa aproveitar esse potencial para ir além da exploração de recursos naturais e fortalecer cadeias produtivas com maior valor agregado.

“Minas Gerais é uma região diversa. Trabalhamos com 51 setores econômicos e isso demonstra o quanto o Estado é diversificado. Com a reforma tributária, teremos que competir cada vez mais pela qualidade do ambiente de negócios e pela organização das cadeias produtivas, e não apenas pelos incentivos fiscais”, afirmou.

Milena Pedrosa citou o polo farmacêutico de Montes Claros como exemplo dessa estratégia. Segundo ela, a InvestMinas atua desde a chegada das primeiras empresas para fortalecer toda a cadeia do setor, atraindo fornecedores e estimulando investimentos complementares. Ela também ressaltou que a agência desenvolveu uma rota de descarbonização, identificando 54 tecnologias capazes de aumentar a competitividade da indústria mineira.

A executiva também defendeu maior investimento em infraestrutura, inovação e capacitação profissional. “Precisamos agregar mais valor às nossas cadeias produtivas. Minas está muito bem posicionada para aproveitar as tendências globais, mas esse é um trabalho coletivo, envolvendo governo, empresas, entidades e a sociedade”, disse.

O diretor executivo da Eurofarma, Walker Lahmann, afirmou que Montes Claros consolidou-se como o novo polo farmacêutico do Brasil graças à combinação entre ambiente favorável aos investimentos e atuação conjunta dos diversos atores envolvidos.”Várias empresas encontraram em Minas Gerais, especialmente em Montes Claros, as condições necessárias para investir. Isso trouxe tecnologia, geração de empregos e investimentos elevados”, afirmou.

Segundo Lahmann, o crescimento acelerado também trouxe desafios relacionados à infraestrutura, disponibilidade de áreas, energia e, principalmente, mão de obra qualificada. Para enfrentar essa demanda, a empresa iniciou parcerias com universidades locais antes mesmo do início das operações. “Muito antes de estarmos operando, já procuramos as universidades para que elas preparassem os profissionais que seriam necessários ao desenvolvimento desse polo. Ações coordenadas trazem resultados importantes”, disse.

O executivo também ressaltou os investimentos da Eurofarma em inovação. Segundo ele, a empresa mantém um centro de pesquisa com cerca de 700 cientistas e investe aproximadamente R$ 700 milhões por ano em desenvolvimento tecnológico. “A inovação é fundamental para gerar competitividade. Quando governo, entidades como a Fiemg, sindicatos e empresas trabalham juntos, conseguimos atrair novos investimentos e fortalecer toda a cadeia produtiva”, afirmou.

Comunicação também impulsiona desenvolvimento econômico

O CEO da OOH Brasil, Felipe Davis, defendeu que a comunicação deve ser reconhecida como uma indústria estratégica para o desenvolvimento econômico, por sua capacidade de gerar valor para todos os demais setores. “A indústria da comunicação transforma criatividade, conhecimento, tecnologia e talento em valor econômico. Ela cria confiança entre empresas, governo e sociedade e impulsiona o crescimento das demais indústrias”, defendeu.

Para Davis, a transformação provocada pela inteligência artificial já altera profundamente o setor, mas continuará tendo as pessoas como protagonistas. “A inteligência artificial vai acelerar processos e aumentar a produtividade, mas ainda estamos construindo os limites de sua utilização. O talento humano continuará sendo o diferencial”, afirmou.

O executivo também ressaltou que Minas Gerais reúne condições para se tornar uma referência nacional no setor, atraindo empresas e profissionais qualificados.

Na avaliação do diretor de Negócios da Itatiaia, Leonardo Bortoletto, o principal desafio não é criar novas atividades econômicas, mas ampliar o valor agregado das cadeias já existentes. “O empresário normalmente busca soluções que tragam resultados mais rápidos. Muitas vezes, qualificar uma cadeia produtiva consolidada gera retorno mais imediato do que iniciar uma atividade completamente nova”, disse.

Segundo ele, políticas públicas devem considerar as vocações econômicas do Estado e facilitar a adoção de inovação, especialmente entre pequenas e médias empresas. “Nem toda inovação passa por inteligência artificial. Muitas empresas precisam apenas de soluções simples que aumentem sua produtividade”, pontuou.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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