Divinópolis busca reverter fechamento da Gerdau com apoio de Alckmin e Cleitinho
O fechamento da operação da Gerdau em Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, mobilizou a Prefeitura do município junto ao governo federal e a lideranças políticas do Estado. Em reuniões realizadas nessa quarta-feira (4) com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e nesta quinta-feira (5) com o senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), a prefeita Janete Aparecida Silva (Avante) discutiu alternativas para preservar a atividade industrial e recuperar os postos de trabalho afetados pela decisão da companhia.
Em entrevista ao Diário do Comércio, Janete afirmou que a prioridade, neste momento, é tentar que os funcionários mantidos em férias coletivas ou colocados na unidade de Ouro Branco, na região Central, possam retomar os trabalhos, para que depois, gradativamente, as operações na unidade fechada se restabeleçam.
A prefeita estima que aproximadamente duas mil pessoas, entre trabalhadores diretos e indiretos, já tenham sido afetadas pela decisão. O número considera não apenas os 280 desligamentos mais recentes informados pela empresa, mas também os cortes realizados ao longo dos últimos anos e os impactos sobre prestadores de serviços e estabelecimentos comerciais que dependiam da atividade siderúrgica.
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A dimensão do impacto econômico também foi apresentada nas conversas com as lideranças políticas. De acordo com Janete, a unidade fechada representa uma parcela importante da arrecadação municipal, com participação estimada em até 15% dos repasses de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), além de aproximadamente R$ 2 milhões em Imposto Sobre Serviços (ISS).
Alckmin reconhece pressão do aço chinês sobre a indústria brasileira
Na reunião com Geraldo Alckmin, a principal discussão envolveu a perda de competitividade da siderurgia nacional diante do avanço das importações de aço, especialmente da China. Segundo a prefeita, o vice-presidente reconheceu que a entrada de produtos estrangeiros a preços inferiores aos praticados pela indústria brasileira tem pressionado não apenas a Gerdau, mas o setor siderúrgico como um todo.
“Ele reconheceu que realmente a questão é do aço chinês entrando no Brasil da forma tão barata como está entrando. O impacto que está acontecendo na indústria não é com a Gerdau, é geral. Isso vai ter que passar por um estudo do que precisa ser feito”, afirma.

Janete destaca ainda que Alckmin demonstrou disposição para discutir medidas capazes de reequilibrar as condições de concorrência no mercado brasileiro. “Não é um caminho que vai ser fácil e nem vai ser tão breve. O problema é que, quando uma planta paralisa, você tem uns 90 dias para retomar. Se não retomar, ela é fechada e, uma vez que uma empresa do tamanho da Gerdau fecha algo, ela desmonta. Daí não volta nunca mais”, alerta.
Cleitinho articula alternativas para Minas Gerais
Além da atuação junto ao governo federal, a prefeita levou o levantamento dos impactos econômicos e sociais ao senador Cleitinho Azevedo, eleito governador de Minas Gerais. Segundo ela, o parlamentar solicitou que o município avalie, em conjunto com o governo estadual e representantes do setor produtivo, quais medidas podem ser adotadas dentro das competências de Minas Gerais.
Uma das frentes de trabalho envolve o diálogo com representantes do mercado siderúrgico. Janete está em São Paulo para participar de uma agenda relacionada ao setor e buscar informações sobre alternativas que possam contribuir para a manutenção da atividade industrial no Estado.
A avaliação da chefe do executivo municipal é que a crise enfrentada pela Gerdau precisa ser tratada como uma questão estrutural da indústria mineira e brasileira, e não apenas como um problema localizado em Divinópolis.
“Na verdade, é unir para poder proteger o mercado brasileiro. Porque, se a gente protege o mercado brasileiro, a gente não resolve o problema da Gerdau, a gente resolve um problema de mercado”, conclui.
Gerdau atribui fechamento em Divinópolis à perda de competitividade
A Gerdau anunciou, na terça-feira (3), o encerramento da produção de aço na unidade de Divinópolis, alegando perda de competitividade da operação, principalmente pela ausência de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos e pelo avanço das importações de aço no mercado brasileiro. A empresa também citou condições desfavoráveis no mercado internacional, especialmente para as exportações.
A decisão envolve a concentração da produção em outras unidades consideradas mais competitivas e eficientes. A companhia informou ainda que considera oportunidades de transferência de parte dos colaboradores para outras unidades, além de cursos de qualificação e workshops para apoiar a recolocação profissional.
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