Famílias de BH ficam mais otimistas em outubro, mas seguem adiando compras caras

Apesar de querer comprar mais, consumidor mineiro deve adotar cautela, evitando aquisições com valores mais altos
Famílias de BH ficam mais otimistas em outubro, mas seguem adiando compras caras
Intenção de compras do consumidor mineiro- Fecomercio

O consumidor de Belo Horizonte já enxerga sinais de melhora na própria situação, mas continua cauteloso na hora de gastar, principalmente com produtos de maior valor. Em outubro de 2026, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) subiu 0,3 ponto em relação a setembro e chegou a 86,7 pontos.

A pesquisa é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e foi analisada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG. Como o resultado está abaixo de 100 pontos, a percepção ainda é, em geral, de insatisfação com emprego, renda e capacidade de consumo.

Segundo a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Gabriela Martins, a alta não indica necessariamente uma disposição maior para comprar.

“A melhora pontual da intenção de consumo precisa ser observada com atenção. Os indicadores mostram que as famílias ainda enfrentam limitações para ampliar suas compras, especialmente quando se trata de compromissos de maior valor. A confiança segue condicionada à percepção de renda, às perspectivas profissionais e às condições de acesso ao crédito”, avalia.

Emprego e renda

Dois componentes do índice estão acima da linha de satisfação. O emprego atual marcou 103,6 pontos, 1,7 ponto a menos que em setembro, mas 8,6 pontos acima de outubro de 2025. Entre os entrevistados, 27,2% se sentem mais seguros no trabalho do que há um ano, 23,6% se sentem menos seguros e 46,6% veem a situação como igual.

A renda atual ficou em 103,5 pontos. Houve uma leve queda sobre setembro, mas o indicador está 9,1 pontos acima do registrado um ano antes. Para 29,1% das famílias, a renda melhorou no período, para 25,6% piorou e para 45,2% não mudou.

Perspectivas profissionais e crédito

O cenário é menos animador quando o assunto é o futuro profissional. O subíndice de perspectiva profissional chegou a 84,5 pontos, com alta de 2,9 pontos no mês, mas segue abaixo do nível de satisfação. Embora 39,3% acreditem em alguma melhora para o responsável pelo domicílio nos próximos seis meses, 54,8% não esperam avanços. O recorte por renda mostra diferença: entre quem ganha mais de dez salários mínimos, 47% esperam melhora. Entre os que ganham até dez salários mínimos, 56,6% não acreditam em evolução positiva.

O acesso ao crédito melhorou, com alta de 2,2 pontos sobre setembro e de 7,1 pontos sobre outubro de 2025, e chegou a 94,9 pontos, ainda abaixo da zona de satisfação. Para 35,6% dos consumidores, está mais difícil conseguir empréstimos ou crédito para compras a prazo do que no ano passado. Já 30,5% veem mais facilidade e 33,3% dizem que as condições não mudaram.

Próximos meses

Na prática, as famílias estão comprando menos. O subíndice de nível de consumo ficou em 62,7 pontos, queda de 1,9 ponto em relação a setembro e de 0,4 ponto na comparação anual. Mais da metade dos entrevistados (55,8%) afirma gastar menos do que há um ano, 18,5% dizem comprar mais e 25,6% mantêm o mesmo ritmo.

As expectativas, por outro lado, são melhores. O índice de perspectiva de consumo subiu 3,4 pontos sobre o mês anterior e chegou a 108,5 pontos. Para 40,6% dos entrevistados, o consumo da família e da população em geral será maior nos próximos meses do que no segundo semestre de 2025. Outros 32,1% esperam redução e 27,1% preveem estabilidade.

Para Gabriela Martins, esse descompasso ajuda a explicar a cautela. “O consumidor pode perceber avanços em sua renda ou na segurança do emprego e, ao mesmo tempo, manter uma postura defensiva. A disponibilidade de crédito, o custo das compras e a necessidade de preservar o orçamento familiar influenciam diretamente a decisão de consumir”, afirma.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.


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