Ajustes financeiros e redução de subsídios devem ajudar a reduzir o preço da energia elétrica em Minas

Ajustes no setor têm proporcionado o cenário ideal para quedas nas tarifas e mais justiça na divisão de custos
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Ajustes financeiros e redução de subsídios devem ajudar a reduzir o preço da energia elétrica em Minas
| Foto: Reprodução Adobe Stock

Minas Gerais e o Brasil podem ter um ano de 2027 com menos peso no bolso ao pagar as contas de energia elétrica. Pelo menos essa é a perspectiva de um estudo da Thymos Energia, consultoria especializada no setor. As tarifas de energia elétrica, que compõem a conta de luz, devem ter queda de 5,14% no Sudeste em 2027. A redução de subsídios (incentivos para produtores, tarifas sociais e outras benesses) está entre os principais itens que deverão iniciar uma queda nos custos, com possível impacto no preço final para o consumidor.

“Do ponto de vista geral, a indicação média comparando 2027 contra 2026 é de redução da ordem de 2%”, comenta o diretor da Thymos Energia, Fillipe Soares. Ele explica que o fim de cobranças financeiras do passado contribuirá bastante para a queda de preços.

Ele explica que se trata de uma pequena redução, mas quando segmentamos por região o quadro é distinto. Confira:

  • Sul e Sudeste: boa redução, na ordem de 7% a 8% nas distribuidoras da região.
  • Nordeste: vai na contramão, com aumento na ordem de 7% a 8%.
  • Norte: andando de lado, com pequeno aumento da ordem de 1%.
  • Centro-Oeste: pequena redução, de 0,66%.

Minas Gerais

E para Minas Gerais? Soares indica que o Estado terá uma redução média considerável. “Para Minas, a Cemig, que atende à maior parte do Estado, tem perspectiva de redução da ordem de 7%”, disse.

Já as outras duas distribuidoras que atendem aos mineiros também devem ter reduções: a Energisa, de 2% no Sul de Minas e de 4% na Zona da Mata. Na Cemig, boa parte dessa redução virá da parcela relativa ao uso da rede.

“A tarifa é composta, de um lado, pela energia que a distribuidora compra de geradores e, de outro, pela remuneração do investimento dela em subestações e linhas. O fator que mais pesa para a Cemig é justamente o uso da rede, que tem uma compensação ano contra ano mais barata”, explica Fillipe Soares.

Divisão de custos

Outro ponto destacado por Soares é que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, trabalhou em projetos de lei, medidas provisórias e emendas que colocaram um teto no principal encargo do setor: a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), uma cobrança que distribui recursos para várias fontes de geração, desde fontes renováveis (solar e eólica) até a geração a diesel em regiões isoladas.

O custo da geração distribuída é muito presente em Minas Gerais, dada a alta insolação do Estado e o crescimento, principalmente no Norte de Minas. Esse uso da rede gera um custo que afeta a tarifa.

“Esse custo, assim como o das usinas nucleares de Angra, também faz parte da tarifa. Ambos passam a ser divididos não só com o mercado regulado (a tarifa da nossa casa, que em Minas é paga à Cemig), mas com todo o mercado, incluindo as indústrias e outras empresas do mercado livre”, comenta.

Um passo de cada vez

O diretor da Thymos Energia comenta que o impacto nas contas pode não ser sentido por todos os consumidores, pelas diferenças tarifárias entre regiões. A tendência é de queda, mas os custos financeiros podem variar e afetar a tarifa.

“Não dá para concluir muito (que as tarifas cairão de forma linear), porque os efeitos financeiros pesam bastante. O subsídio ganhou teto, o que é bom. Mas os leilões não têm teto, porque funcionam como a contratação de um seguro para o sistema. Por isso, diria que são fatores mais conjunturais do que estruturais na influência do preço”, explica.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.