Samarco planeja investimentos de R$ 1,6 bilhão no próximo ano

Mineradora busca retomar a capacidade produtiva de 30 milhões de toneladas/ano de minério até 2028
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Samarco planeja investimentos de R$ 1,6 bilhão no próximo ano
A Samarco produziu mais de 7,5 milhões de toneladas de pelotas e fino de minério de ferro de janeiro a novembro | Crédito: Alexandre Mota / NITRO

Após investir mais de R$ 1,1 bilhão neste exercício, a Mineradora Samarco prevê aportar R$ 1,6 bilhão em 2023. Desse total, R$ 721 milhões serão destinados à continuidade das obras de descaracterização da barragem e cava de Germano, em Mariana, na região Central. O restante englobará outras frentes que visam à sustentação das operações rumo à retomada total da capacidade produtiva, prevista para ocorrer de forma gradual e segura até 2028.

Atuando com 26% da capacidade operacional total de 30 milhões de toneladas/ano, a empresa produziu mais de 7,5 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro até novembro deste ano, alta de 5,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Quando considerado 2021 em sua totalidade, a produção chegou a 7,879 milhões de toneladas.

Até o momento já foram embarcados 77 navios. E, até outubro, foram gerados mais de R$ 915 milhões em tributos da própria empresa e aqueles gerados na aquisição de bens materiais e serviços de fornecedores. Até o fim de 2022, os impostos devem somar R$ 1,1 bilhão, incluindo a projeção dos dois últimos meses.

“Neste segundo ano de nossa retomada, concretizamos a estabilidade operacional da empresa, superando as expectativas de performance, alcançando mais eficiência e custo operacional competitivo. Ao mesmo tempo, consolidamos nosso retorno ao mercado e nossas relações com clientes estratégicos. Em 2023, queremos, evoluir ainda mais para seguirmos com o nosso propósito de fazer uma mineração diferente, mais segura e sustentável”, destacou o presidente da Samarco, Rodrigo Vilela.

Retorno da Samarco após rompimento da barragem

Com o retorno das atividades em dezembro de 2020, mais de 15,3 milhões de toneladas de minério de ferro já foram enviadas a mercados das Américas, Europa, Oriente Médio, Norte da África e Ásia, além do Brasil. A produção atualmente soma cerca de 8 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro. Deste total, apenas 5% ficam no mercado interno e 95% são enviados ao exterior.

É que com o rompimento da barragem de Fundão, em Bento Rodrigues, ocorrido em 2015, a Samarco teve todas as licenças suspensas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) em 2016 e as operações embargadas. A tragédia deixou 19 mortos, poluiu a bacia do rio Doce e inundou o distrito de Bento Rodrigues.

No fim de 2017, a empresa, que é uma joint venture de BHP e Vale, obteve a primeira licença rumo à retomada. Desde então, iniciou uma série de adequações para a volta das atividades. Conforme já publicado, a destinação da cava da mina Alegria Sul para a destinação dos rejeitos úmidos e a instalação de um sistema de filtragem para os rejeitos arenosos foram fundamentais para esse processo.

Já para o ano que vem, o duto será alterado e a capacidade aumentada para quase 20 milhões de toneladas. No entanto, o plano de retomada da companhia prevê o alcance de 30% a 32% das 30 milhões de toneladas/anuais totais em 2023. Já em 2026, com a ativação do concentrador 2, a produção atingirá os 60%.

“Para este momento, será necessário um novo aporte da ordem de U$ 380 milhões, em vistas de praticamente duplicar o sistema de filtragem. Já para 2029, quando está previsto o alcance das 30 milhões de toneladas, teremos que duplicá-lo novamente”, disse o diretor de planejamento e operações, Sérgio Mileipe, em abril.

Ações e projetos que marcaram 2022

Entre as ações que marcaram este ano, a Samarco destaca a inauguração do Centro de Operações Integradas (COI) integrando áreas de planejamento, operações, gestão de ativos, entre outras, para reforçar a segurança operacional e de processos.

Além disso, a empresa vem investindo no projeto Dry Stacking para construção de uma planta de filtragem e de aterros experimentais para análise das melhores formas de disposição e do comportamento geotécnico das pilhas, no Complexo de Germano.

A mineradora também lançou o Programa de Diversidade, Equidade e Inclusão. E, por meio do Força Local, que contribui com o desenvolvimento socioeconômico dos territórios onde a empresa atua, a Samarco desembolsou cerca de R$ 480 milhões em compras com fornecedores locais. E, em 2022, 112 empresas foram certificadas no Pilar Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores Locais.

Fundação Renova e reparações do rompimento da barragem

Por fim, sobre os esforços sobre a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem, a empresa informou que, até outubro, foram destinados mais de R$ 25,79 bilhões para a reparação, incluindo a indenização de mais de 407,7 mil pessoas, por meio da Fundação Renova.

E diz que se mantém aberta ao diálogo com os órgãos públicos em busca de uma solução para repactuação dos acordos firmados anteriormente, a fim de dar mais celeridade e efetividade às ações.

Vale dizer, por fim, que em outubro a Fundação Renova e a Prefeitura de Mariana assinaram termo de compromisso para a entrega do novo distrito de Bento Rodrigues. O documento sustenta o plano de ação para que os serviços essenciais, como tratamento de água e esgoto, transporte público, limpeza urbana, iluminação e segurança, estejam em pleno funcionamento no local. A expectativa agora é que os moradores possam, enfim, planejar a mudança para o novo distrito.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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