Policlínica Digital zera filas de especialistas em Ribeirão das Neves com atendimento 100% SUS
O município de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), zerou a fila de espera em algumas especialidades médicas e reduziu em mais da metade a demanda reprimida por consultas especializadas com a criação da Policlínica Digital, um modelo inédito de atendimento híbrido 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais. Pacientes que esperavam até dois anos por uma consulta agora conseguem ser atendidos em até dois meses e, em várias especialidades, sem necessidade de espera.
Inaugurada em 27 de março de 2026, a unidade utiliza a tecnologia para aproximar o especialista do paciente. Antes da inauguração, o município tinha cerca de 36 mil solicitações represadas. Sete meses depois, a fila caiu para 16.746 pacientes, o que representa uma redução de 19.254 solicitações, ou 53,5%. Outro resultado expressivo é que cerca de nove mil encaminhamentos que seriam direcionados para a macrorregião de Belo Horizonte passaram a ser resolvidos e agendados em Ribeirão das Neves.
No modelo anterior, a prefeitura conseguia realizar cerca de mil consultas especializadas por ano. Agora, a Policlínica Digital atingiu seu limite operacional, com 3 mil consultas por mês, segundo o prefeito de Ribeirão das Neves, Túlio Raposo (PP). Ele explica que o maior ganho para os usuários do SUS não é apenas a rapidez no atendimento especializado, mas também a mudança de rotina.
Antes, o paciente de Ribeirão das Neves precisava se deslocar por conta própria até Belo Horizonte para uma consulta especializada, arcando com custos de transporte, perda de tempo no deslocamento e nos engarrafamentos constantes, além do risco de acidentes nas estradas. Depois da consulta, ainda precisava ir a laboratórios para fazer exames e a farmácias para buscar medicamentos.
Agora, tudo é feito na Policlínica Digital. No mesmo local, o paciente faz a consulta on-line com o especialista e é acompanhado presencialmente por profissionais e técnicos de enfermagem. Além disso, há um clínico geral disponível todos os dias para solicitar exames e prescrever medicamentos. Se necessário, o paciente pode fazer exames laboratoriais, além de eletrocardiograma e ultrassonografia, e ainda tem acesso aos medicamentos prescritos na farmácia regional. Todos os serviços são oferecidos pelo SUS, sem custo para o paciente.
“Mais do que incorporar tecnologia, a Policlínica Digital representa uma mudança na forma de organizar a assistência especializada em Ribeirão das Neves: estamos trazendo o atendimento para mais perto das pessoas, ampliando o acesso, reduzindo filas e fortalecendo a capacidade de resposta do próprio município”, afirma a secretária municipal de Saúde, Marla de Souza Guimarães Neves.
A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que, antes da inauguração da Policlínica Digital, os pacientes que iam para Belo Horizonte se deslocavam por meios próprios, sem transporte custeado pelo município. Por isso, não houve economia direta com combustível, vans ou motoristas. O benefício foi para o paciente: “menos deslocamentos, redução de gastos individuais com transporte, economia de tempo e maior comodidade, especialmente para pessoas idosas, crianças, pessoas com deficiência e pacientes que necessitam de acompanhamento especializado contínuo”, diz Marla.
Falta de médicos
Assim como outras prefeituras do interior, Ribeirão das Neves enfrentava dificuldades para contratar especialistas. O município pagava salários elevados, mas os profissionais permaneciam apenas até conseguir uma vaga na Capital ou em cidades maiores, nas macrorregiões de saúde do Estado.
Com isso, os pacientes ficavam sem atendimentos básicos que poderiam impedir que doenças como cardiopatias, diabetes e cânceres se agravassem e passassem a demandar tratamentos de alta complexidade, intervenções médicas e medicamentos caros. Ao reduzir o tempo de espera, a Policlínica também ajuda a diminuir a ocorrência de quadros mais graves decorrentes da demora no atendimento.
Atualmente, a unidade atende 30 especialidades, incluindo áreas que historicamente enfrentam escassez de profissionais em todo o Brasil, como neuropediatria e reumatologia. A lista inclui cardiologia, dermatologia, endocrinologia, fonoaudiologia, gastroenterologia, hematologia, infectologia, nefrologia, neurologia de adultos, neuropediatria, ortopedia, otorrinolaringologia, pneumologia, psicologia, psiquiatria, urologia, ginecologia, clínica médica, geriatria, medicina da família, nutrição, oftalmologia, pediatria e obstetrícia, além das especialidades pediátricas de nefrologia, otorrinolaringologia, dermatologia, ortopedia e endocrinologia.
O resultado chamou a atenção de outros municípios e do setor privado. Contagem e Paraopeba já visitaram a Policlínica Digital para conhecer o modelo. Ibirité, Nova Serrana, Bom Despacho e Pará de Minas solicitaram visitas. Empresários do segmento de saúde também foram conhecer a unidade.
Para a Secretaria Municipal de Saúde, o modelo semipresencial reduz a necessidade de deslocamento para consultas que podem ser conduzidas com apoio da tecnologia, mantendo a assistência presencial sempre que necessária. Segundo a pasta, a iniciativa demonstra que é possível ampliar o acesso sem que o paciente precise sair da própria cidade para ser atendido.
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