Número de jovens investidores na bolsa cresce 76% em MG, impulsionado pela educação financeira

O público masculino concentra a maior participação, mas as mulheres têm apresentado maior evolução no valor total investido
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Número de jovens investidores na bolsa cresce 76% em MG, impulsionado pela educação financeira
Foto: Divulgação B3

A bolsa de valores brasileira ganhou 2.550 investidores mineiros menores de 18 anos entre dezembro de 2022 e setembro de 2026. O crescimento acompanha uma tendência nacional que, segundo a B3, é impulsionada pela ampliação do acesso à educação financeira e às alternativas de investimento.

De acordo com levantamento da B3, o número de investidores menores de 18 anos em Minas Gerais passou de 3.346, em dezembro de 2022, para 5.896 em setembro de 2026, alta de 76% no período. Já o patrimônio investido pelo grupo em ativos de renda variável cresceu 14,57%, de R$ 161,96 milhões para R$ 185,56 milhões.

A cofundadora da Bem Educação e CEO da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), Ana Leoni, avalia que o fato das gerações mais novas estarem mais conectadas e ligadas ao mundo digital pode contribuir para o aumento do interesse por esse tipo de investimento. Ela destaca que esse público tende a consumir mais conteúdos de influenciadores de finanças e serviços de bancos digitais e fintechs.

Além disso, a especialista em comportamento financeiro acrescenta que o investimento em renda variável, como o mercado de ações, acaba sendo mais interessante, por ser algo mais dinâmico do que produtos com retorno a longo prazo. Entre os destaques, estão as ações; os fundos de índice, ou Exchange Traded Funds (ETFs); e os fundos imobiliários.

“Em geral, esse tipo de investimento tende a ser mais atrativo para os mais jovens”, diz.

Minas Gerais ocupa a terceira posição entre os estados com mais investidores menores de 18 anos na bolsa, atrás apenas de São Paulo, com 23.474, e do Rio de Janeiro, com 6 mil. O Estado concentra aproximadamente 9,7% dos 60,8 mil investidores dessa faixa etária no País.

Estados com mais investidores menores de 18 anos na bolsa:

  • São Paulo (23.474);
  • Rio de Janeiro (6.000);
  • Minas Gerais (5.896);
  • Paraná (4.761)
  • Santa Catarina (4.078).

Segundo a superintendente de Negócios para Pessoa Física da B3, Christianne Bariquelli, o crescimento do número de investidores mineiros menores de 18 anos acompanha uma tendência observada em todo o Brasil. Para ela, o avanço está relacionado ao maior acesso à educação financeira e à ampliação das alternativas de investimento.

“Esse cenário também cria oportunidades para que as famílias introduzam desde cedo conversas sobre planejamento, escolhas conscientes e objetivos de longo prazo”, afirma.

Na comparação com dezembro de 2025, o patrimônio investido pelos menores de 18 anos em Minas Gerais cresceu 51,08%, passando de R$ 122,83 milhões para R$ 185,56 milhões em setembro de 2026. No mesmo intervalo, o número de investidores avançou 21,44%, de 4.855 para 5.896.

Análise por gênero

O levantamento da B3 também apresenta a distribuição dos investidores por gênero em Minas Gerais. Os homens representam a maioria tanto em número de participantes quanto em patrimônio aplicado. Entretanto, entre dezembro de 2022 e setembro de 2026, o valor investido pelas mulheres cresceu, enquanto o patrimônio do grupo masculino apresentou redução.

O número de investidores de ambos os gêneros cresceu aproximadamente 76% entre dezembro de 2022 e setembro de 2026. Entre os homens, o total passou de 2.125 para 3.751, alta de 76,52%. Já entre as mulheres, avançou de 1.221 para 2.145 investidoras, crescimento de 75,68%.

Apesar de concentrarem a maior parte do patrimônio investido, os homens registraram redução de 1,79% no valor aplicado, que passou de R$ 135,78 milhões, em dezembro de 2022, para R$ 133,35 milhões, em setembro de 2026. Entre as mulheres, o montante praticamente dobrou, passando de R$ 26,18 milhões para R$ 52,22 milhões, alta de 99,46%. Com isso, a participação feminina no patrimônio total aumentou de 16,2% para 28,1%.

Nesse caso, Ana Leoni ressalta o peso do aspecto cultural, algo que, segundo ela, é difícil de mudar no curto prazo. A especialista relata que historicamente os homens sempre foram mais incentivados a pensar no dinheiro e nas finanças, diferentemente das mulheres. Segundo a executiva, o cenário no universo feminino é marcado por mudanças ainda muito recentes, como o ingresso da mulher no mercado de trabalho e a independência financeira.

De acordo com Ana Leoni, mesmo com os avanços nas últimas quatro décadas, muitas mulheres ainda delegam a responsabilidade da gestão financeira de sua vida para o homem mais próximo. “Elas cuidam das finanças do dia a dia e da casa, focando muito mais no orçamento; mas quando o assunto são os investimentos, o homem entra em cena para fazer essa gestão”, descreve.

No entanto, a cofundadora da Bem Educação pontua que as mulheres mais jovens estão tendo mais acesso ao universo de conteúdos sobre finanças na internet, com muitas influenciadoras falando sobre o assunto. Ana Leoni ainda menciona um dado da B3 que demonstra que, apesar de demorarem mais para investir na bolsa de valores, as mulheres tendem a investir com tíquete maior e por mais tempo.

“O homem investe mais com o objetivo de ter um retorno rápido, enquanto a mulher investe visando mais segurança. Quando o foco é a segurança, nós podemos inferir que se trata de um investimento de longo prazo”, diz.

Na comparação com dezembro de 2025, o patrimônio investido pelos homens cresceu 72,14%, de R$ 77,47 milhões para R$ 133,35 milhões. Entre as mulheres, o avanço foi de 15,11%, passando de R$ 45,36 milhões para R$ 52,22 milhões.

No mesmo período, o número de investidores masculinos cresceu 26,77%, de 2.959 para 3.751. Entre as mulheres, a alta foi de 13,13%, passando de 1.896 para 2.145 investidoras.

Jovens precisam ser mais resilientes

Além disso, o Índice Planejar demonstra que o público na faixa etária dos 18 aos 24 anos registrou 34,6 pontos de reservas e resiliência, em uma escala de zero a 100, o menor resultado entre as dimensões analisadas. Para Ana Leoni, não basta apenas investir, é necessário que essa operação seja capaz de proporcionar uma maior segurança financeira.

O indicador apresenta resultados melhores para esse grupo no quesito gestão orçamentária (70,1), proteção e seguros (62,1), impacto do endividamento (50,8) e planejamento de longo prazo (42,3). Esses dados demonstram, segundo a especialista, que, apesar do aumento do interesse dos mais jovens pelo assunto, a questão das reservas e resiliência dentro da lógica de planejamento financeiro segue sendo um ponto de atenção.

“Mesmo com os jovens investindo no mercado de ações, o que já é um grande passo, considerando que o brasileiro investe pouco, isso talvez não seja o suficiente para garantir uma independência financeira no futuro desses jovens”, acrescenta.

De maneira geral, a CEO da Planejar pontua que quanto mais cedo uma pessoa começa a investir melhor será o resultado final. Ela avalia a presença dos jovens no mercado de renda variável como algo positivo, que demonstra uma demanda desse público por investimentos de longo prazo.

“Por serem jovens, eles têm muito tempo a seu favor e podem usá-lo de maneira benéfica, colhendo os frutos desse hábito que precisa ser constante para o resto da vida”, avalia.

No entanto, a especialista ressalta a necessidade do planejamento financeiro e de uma gestão orçamentária mais eficaz. Outro ponto de atenção mencionado é o cuidado com o endividamento, que tende a ser elevado na população brasileira, além da resiliência nos investimentos.

“A independência financeira é uma maratona e não uma corrida de 100 metros, portanto, esses jovens precisam ter a consciência de que investir é para sempre”, completa.

Como investir para uma criança?

Aparelho celular exibe o logo da B3 sobre mesa com gráficos financeiros, calculadora e documentos, em referência às ferramentas digitais usadas por investidores na declaração do Imposto de Renda 2026.
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

De acordo com a B3, para investir em nome de crianças e adolescentes, é necessário que os investimentos sejam realizados com o número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do menor com o acompanhamento de seus representantes legais. Também é necessário a documentação de identificação dos responsáveis.

A abertura da conta é feita junto a instituições financeiras habilitadas, mediante apresentação da documentação exigida pela corretora. Atualmente, o mercado oferece alternativas com valores de investimentos acessíveis para os mais jovens, permitindo que pais e responsáveis iniciem a construção de patrimônio de longo prazo desde os primeiros anos de vida.

Por meio do planejamento de longo prazo, aportes periódicos e do reinvestimento dos rendimentos, pequenas aplicações podem contribuir para objetivos futuros como educação, intercâmbio, empreendedorismo ou o início da vida financeira adulta.

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.