IR 2026: o que brasileiros que têm ativos no exterior precisam saber
Para quem tem patrimônio no exterior, o momento da Declaração do Imposto de Renda requer muita atenção com as informações e documentos necessários para o processo. Além disso, o maior cruzamento de dados da Receita Federal aumentou o risco de inconsistências e retenção em malha fina.
“Quem acredita que movimentações no exterior ficam fora do alcance do Fisco está olhando para um cenário antigo. Existe hoje um nível de troca de informações muito maior entre países, o que exige que o contribuinte organize corretamente sua declaração”, afirma a especialista em planejamento tributário internacional Fernanda Spanner.
Desde 2024, a tributação desses ativos foi unificada em 15% para aplicações financeiras, lucros de entidades controladas e bens em trust, o que elevou a exigência para a prestação de contas. Para auxiliar o contribuinte que têm ativos no exterior, a tributarista destaca os principais cuidados que o investidor deve ter na entrega da declaração.
Passo a passo para evitar a malha fina:
- Declarar corretamente cada tipo de ativo: contas bancárias, participações em empresas, imóveis e aplicações financeiras possuem campos específicos na declaração. Informações genéricas podem gerar divergências com dados recebidos pela Receita;
- Utilizar a cotação correta na conversão cambial: os valores devem ser informados em reais seguindo os critérios estabelecidos pela Receita Federal para conversão de ativos mantidos no exterior;
- Informar rendimentos obtidos fora do país: ganhos financeiros no exterior devem ser considerados na apuração tributária quando o contribuinte é residente fiscal no Brasil;
- Atenção à tributação de investimentos internacionais: aplicações estrangeiras podem ter regras diferentes de tributação em comparação aos investimentos realizados no Brasil;
- Avaliar a estrutura societária de empresas no exterior: participações societárias exigem tratamento específico na declaração e podem demandar informações adicionais;
- Manter documentação organizada: extratos bancários, contratos de aquisição de ativos, registros societários e documentos fiscais ajudam a comprovar a origem e a evolução do patrimônio;
- Buscar orientação especializada: consultorias com experiência em tributação internacional podem ajudar a estruturar a declaração e identificar eventuais riscos fiscais.
“Investir fora do país é uma estratégia legítima de diversificação patrimonial. O ponto central é entender que internacionalizar patrimônio também exige responsabilidade fiscal”, conclui Fernanda.
Colaborador
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