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Meteoric Resources fará refino de terras-raras no Brasil, marcando avanço na cadeia produtiva

Minas Gerais aparece como possibilidade para receber a planta de separação de óxidos de terras-raras
Meteoric Resources fará refino de terras-raras no Brasil, marcando avanço na cadeia produtiva
Amostras do carbonato misto de terras-raras da Meteoric Resources - Foto: Diário do Comércio / Thyago Henrique

A Meteoric Resources decidiu avançar na cadeia de terras-raras e realizar no Brasil a separação de óxidos, além da produção de carbonato misto no Sul de Minas Gerais. O Estado também aparece como possibilidade para receber a planta de refino.

A informação foi revelada ao Diário do Comércio pelo diretor-executivo da companhia australiana, Marcelo de Carvalho, durante o XII Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), evento organizado pela Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (Adimb), em Ouro Preto.

A empresa agora estuda o capex e o cronograma desta segunda fase do Projeto Caldeira. Conforme Carvalho, ainda é cedo para ter esses detalhes, mas estima-se que o investimento ficará entre US$ 200 milhões e US$ 250 milhões e que a unidade de refino começará a ser licenciada logo após a entrada em operação da estrutura focada em produzir concentrado, prevista para o segundo semestre de 2028.

Neste momento, a companhia também realiza testes metalúrgicos próprios na Austrália para determinar a tecnologia que utilizará no País para separar os óxidos dos 17 elementos de terras-raras. Os ensaios utilizam o carbonato misto produzido na planta-piloto, inaugurada em Poços de Caldas em dezembro de 2025. O material também é enviado para separadores de óxidos com os quais a Meteoric firmou contratos de fornecimento (offtakes).

“A decisão de fazer a separação de óxidos no Brasil reduz o nosso risco político e reduz o nosso risco de mercado, porque existem muito mais compradores de óxidos do que de carbonato. Além disso, adiciona muito valor ao produto que vendemos”, pontuou Carvalho.

Diretor-executivo da Meteoric Resources - Marcelo de Carvalho (1)
Foto: Diário do Comércio / Thyago Henrique

Para efeito de comparação em termos de valorização, de acordo com o diretor-executivo, um quilo (kg) de carbonato vale atualmente cerca de US$ 40, considerando a cesta de elementos. Já o óxido de neodímio/praseodímio (Nd-Pr), terra-rara magnética leve, custa em torno de US$ 130/kg. Enquanto isso, o óxido de disprósio e térbio (Dy-Tb), terras-raras magnéticas pesadas, está valendo acima de US$ 1.000/kg.

Empresa poderá ser a primeira a avançar na cadeia produtiva no País

A Meteoric Resources poderá ser a primeira empresa de terras-raras a separar óxidos no Brasil, segundo Carvalho. Como exemplo, a Serra Verde, em Goiás, única com produção comercial de terras-raras no País, produz apenas o carbonato misto. Já a Aclara Resources, que possui um dos projetos mais adiantados, também localizado em Goiás e previsto para operar na segunda metade de 2028, fará o refino nos Estados Unidos.

O diretor-executivo explicou que a cadeia produtiva para depósitos de argila iônica, como os da companhia, abrange quatro etapas: produção de carbonato; separação de óxidos, etapa em que se adiciona mais valor ao produto; metalização para produção de ligas; e fabricação de produtos, como ímãs permanentes. Todas elas estão em desenvolvimento em escala semi-industrial no projeto MagBras – da Mina ao Ímã, iniciativa que visa estabelecer o ciclo completo de produção nacional dos ímãs permanentes de terras-raras.

Testemunhos de sondagem do Projeto Caldeira (3)
Testemunhos de sondagem do Projeto Caldeira – Foto: Diário do Comércio / Thyago Henrique

“A nossa decisão de investir na separação de óxidos no Brasil também vai ao encontro da atual estratégia do governo federal de desenvolver a cadeia industrial de minerais críticos e estratégicos no País”, afirmou Carvalho à reportagem.

Meteoric prevê início da construção da planta de carbonato ainda para 2026

Antes de avançar na cadeia com o refino, o objetivo principal da Meteoric é iniciar a produção comercial de carbonato misto de terras-raras em Caldas. Após receber a licença prévia para a planta industrial no fim do ano passado, a companhia protocolou em março o pedido da licença de instalação, que já está em análise, com expectativa de concessão em setembro, período em que também projeta ter tomado a decisão final de investimento.

Conforme Carvalho, a empresa pretende começar a construir a instalação ainda em 2026, e as obras devem durar de 18 a 24 meses. O capex estimado é de cerca de US$ 450 milhões. Até o momento, já foram investidos aproximadamente US$ 100 milhões em três anos de desenvolvimento do Projeto Caldeira, incluindo a implementação da planta-piloto no Sul de Minas Gerais, que tem entregado resultados relevantes, segundo ele.

“Estamos com recuperações de terras-raras magnéticas acima de 70% na planta-piloto. Isso é melhor do que qualquer outro projeto no mundo, de longe. Os da China, por exemplo, recuperam 50% e outros depósitos no Brasil, fora da Caldeira de Poços de Caldas, também”, sublinhou o diretor-executivo.

* O repórter viajou para Ouro Preto a convite da Adimb

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