Pré-candidato, Ben Mendes diz que investimento em segurança pública é prioridade para Minas
O Diário do Comércio Eleições Minas 2026 recebeu o pré-candidato ao governo de Minas Bem Mendes, do Partido Missão. Ele é advogado, jornalista, criador de conteúdo e ganhou projeção devido aos vídeos que produz e divulga na internet sobre direitos do consumidor para o programa “Ronda do Consumidor”. Filiou-se ao Partido Missão, fundado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), e lançou sua pré-candidatura ao cargo de governador de Minas Gerais.
Durante entrevista ao Diário do Comércio, o pré-candidato falou sobre suas propostas para desenvolver a economia mineira. Dentre elas, sua prioridade é investir nas forças de segurança pública e retomar o território mineiro que está sendo ocupado por facções criminosas. Ben Mendes defende, inclusive, que essas facções devem ser combatidas “com rigor e com uma letalidade eficaz” para evitar que Minas seja, em dez anos, um novo Rio de Janeiro. “E esse faccionado deve ter apenas duas alternativas. Se ele está faccionado a uma facção criminosa, ele é um criminoso. Então, ou ele vai ser preso ou ele vai ser aniquilado pela força de segurança”.
Ben Mendes pretende combater a burocracia que atrasa a concessão de licenças para o agronegócio, os empreendimentos industriais e comerciais, promete investir mais em ferrovias para oferecer melhores condições ao ambiente de negócios no Estado e planeja criar polos industriais em todas as regiões de Minas para vencer as diferenças regionais. Em relação às privatizações, Ben Mendes é favorável no caso da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e, no caso da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), considera importante ouvir colaboradores e clientes sobre os serviços prestados antes de decidir.
Qual medida com impacto direto no ambiente de negócios de Minas Gerais seria tomada nos seus primeiros 100 dias de governo?
Nós precisamos investir na segurança pública para que o Estado seja um Estado atraente para os investimentos. A segurança pública abrange justamente todas as pessoas da sociedade, desde o trabalhador que vai até o seu local de trabalho, até mesmo o próprio comerciante, o industrial. Ninguém quer viver em um ambiente onde você não tem certeza se você vai voltar para casa. Então, a prioridade do nosso governo, se formos eleitos, é justamente restaurar a segurança desse Estado. Minas tem sido um dos principais estados com problemas relacionados à segurança pública. Nós temos um policiamento defasado, não só a Polícia Militar, mas a Polícia Civil, as polícias penais que estão realmente defasadas. Então, nós precisamos de resolver esse gargalo.
Em seguida, tem outras questões como, por exemplo, o transporte. Em Minas Gerais, o produto final tem um alto custo para o empreendedor porque nós temos uma via modal, principalmente o transporte rodoviário, que é o nosso principal meio de transporte, que encarece o produto final. Então, nós precisamos investir em ferrovias em um modal de transporte que, ao final, vai impactar num menor custo para esse produto final do empresário.
Então é preciso investir em segurança e transporte para que o produto saia de uma ponta a outra do Estado com o menor custo possível e com a maior celeridade possível. Essas são as primeiras medidas que precisam ser tomadas para a gente criar um ambiente muito mais competitivo para o empresário mineiro.
Qual o seu posicionamento sobre a privatização da Copasa e da Cemig? Caso seja favorável, quais salvaguardas defenderia para garantir a universalização dos serviços e proteger o consumidor?
Falar da Copasa é muito mais fácil do que falar da Cemig. Primeiro, porque é uníssono na sociedade que uma das principais empresas em Minas Gerais que gera reclamações do consumidor é a Copasa. Ela presta um serviço ao consumidor que está muito aquém do que o consumidor mineiro precisa. Então, eu sou totalmente favorável à privatização da Copasa. Eu acho que, a partir do momento que você privatiza, o consumidor tem muito mais autonomia de fiscalização do que uma empresa pública ou de economia mista como era Copasa.
Em relação à Cemig já é uma outra questão. Energia é um setor estratégico. Então, nós ainda estamos analisando. Eu realmente não tenho uma resposta final sobre isso. Conversei com alguns funcionários da Cemig recentemente. Essa tomada de decisão tem que vir com muito diálogo e muita informação das pessoas, os próprios empreendedores, empresários que usam a energia o tempo inteiro para fazer os seus produtos e os colaboradores da Cemig. A própria empresa tem setor de pesquisas, técnicos que podem auxiliar esse gestor público na melhor tomada de decisão. Entendo que a privatização de setores estratégicos no geral, seja combustível, seja energia elétrica ou qualquer outra forma de energia, não pode ser tomada de forma irresponsável, de forma eleitoreira.
Qual a sua proposta concreta para a mineração e a transição energética em Minas Gerais, um Estado que concentra reservas estratégicas para a transição energética global, como lítio, nióbio, grafite, terras-raras?
Realmente o mundo está passando por uma transição de serviços. Estamos falando de tecnologias que nós não tínhamos há 15 anos. Hoje, a maioria das pessoas tem um celular que usa baterias com o lítio como matéria-prima. A gente também já vê nas ruas um alto número de veículos elétricos que usam baterias. Então, Minas Gerais está numa posição muito privilegiada, é um dos estados mais privilegiados desde a história da fundação desse País com as maiores reservas minerais. Historicamente, isso colocou Minas no centro das tomadas de decisão no Brasil. Também fomos agraciados pelo Criador por ter uma das maiores reservas de terras-raras no Brasil. Vale lembrar que a China é o principal país de reserva de terras raras ou minerais críticos. E o Brasil, por causa de Minas, é o segundo país com as maiores reservas de terras-raras. Então, Minas está no centro desse debate.
Mas a nossa matéria-prima extraída é exportada com baixíssimo valor agregado porque, a partir do momento que você só exporta e não beneficia a matéria-prima, ela vai como commodity para o exterior. Então, a nossa proposta concreta é fazer uma articulação com o governo federal para que possamos implantar plantas industriais de processamento desses minerais críticos em Minas Gerais, trazer essas empresas de baterias, principalmente, e ter um polo em Minas. Essa é a nossa principal proposta em relação aos minerais críticos e nós entendemos que não dá para fazer isso sozinho no governo do Estado. Por essa razão é que eu estou aqui hoje como pré-candidato pelo Partido Missão e pedimos que as pessoas pensem também nesse projeto a nível nacional, pois nós temos um pré-candidato à Presidência da República, o Renan Santos, que tem essa mesma visão. Se tivermos em Minas um governo pelo Partido Missão e a nível nacional um governo também pelo Partido Missão, teremos essa articulação para que nós implantemos aqui no Estado essas plantas de extração, de processamento e a própria fabricação para trazer Minas Gerais novamente para o centro do debate econômico do Brasil e do mundo. Por isso que temos trabalhado bastante essa nossa pré-campanha aqui no Estado e também fazendo bastante menção ao projeto nacional para que a gente consiga trazer Minas Gerais novamente ao protagonismo econômico. Minas sempre foi protagonista. É lamentável o ponto em que nós chegamos de perder esse protagonismo econômico no País e no mundo.
Empresários mineiros apontam sistematicamente a burocracia estadual e a insegurança jurídica como freios ao investimento nos negócios. Qual o seu diagnóstico sobre essa questão e quais medidas o senhor pretende adotar nos primeiros 12 meses de governo?
A questão da insegurança jurídica tem relação com a questão da insegurança pública que falamos, das forças policiais e dessa insegurança no dia a dia das cidades. A insegurança jurídica é um ponto extremamente importante, porque se você vai investir o seu capital em um estado, você tem que ter certeza que as normas trabalhistas daquele estado não vão te surpreender.
O governador tem pouca ingerência sobre o Poder Judiciário porque ele indica desembargadores para o Tribunal de Justiça. Durante um mandato de quatro ou oito anos, ele indica vários desembargadores, ou seja, ele tem nas mãos, de tempos em tempos, a possibilidade de indicar juristas que sejam comprometidos com a lei, com o Estado de Direito. E o estado de direito se comunica com a economia. Os empreendedores precisam saber primeiro qual é a regra para decidirem se vão investir ou não. Não pode haver um Poder Judiciário que surpreende a todo tempo como ocorre a nível nacional. O que eu diria sobre segurança jurídica para o nosso Estado em relação ao Poder Judiciário é garantir que, no que depender de mim, vou indicar para os tribunais de justiça juristas que tenham comprometimento com o estado de direito para não surpreender constantemente o cidadão e o setor do empreendedorismo.
Sobre o excesso de burocracia, nós temos que entender que quem movimenta a economia em um País como o Brasil e em um Estado como Minas Gerais é o setor privado. Então, o governador não pode ser inimigo do setor privado. Pelo contrário, nós temos que conceder renúncias fiscais inteligentes e transparentes. Existem formas de se conceder renúncias fiscais de tal forma que elas tragam benefício para a sociedade mineira. Isso é possível porque existem empresas que têm a capacidade de gerar uma grande quantidade de empregos e levar desenvolvimento para região.
Um exemplo disso que aconteceu nas décadas passadas é a Fiat Automóveis em Betim, que transformou a economia de Betim. Então, se você tem esse ambiente no qual você concede renúncias fiscais estratégicas para empresas com grande potencial de gerar empregos locais, essa renúncia é muito bem-vinda. Isso porque, por mais que você deixe de arrecadar tributos daquela empresa, a economia cresce porque esse trabalhador vai receber o seu salário e vai gastar o seu dinheiro ali, naquela economia local.
Nós pretendemos fazer isso, mas eu digo que isso tem que ser transparente. Porque renúncias fiscais não podem ser para beneficiar amigos do governador, elas têm que beneficiar a sociedade e tem que haver esse estudo de impacto desse empreendimento. Então, sim, eu pretendo fazer isso e fazer de forma bastante ampla. Se temos empresas de outros estados ou até mesmo de outros países que desejam implantar as suas plantas em Minas Gerais, se elas tiverem capacidade de gerar bons empregos no Estado, claro que nós vamos diminuir a incidência tributária através de renúncias fiscais para que elas possam vir e gerar desenvolvimento.
Outra questão é o tempo de liberação de licenças, que é outro entrave que se tem. Existem empresas que levam seis meses ou mais para conseguir uma licença ambiental, por exemplo, para determinadas explorações. Exploração, isso não pode acontecer. Nós temos que ter setores no próprio governo que promovam essa celeridade e liberem alvarás e licenças para que as empresas comecem a trabalhar o mais rápido possível e gerem empregos o mais rápido possível.
Então, nós teremos, sim, no nosso governo, secretarias e setores específicos para promoverem a celeridade nos processos de alvarás e licenças para que o empreendedor que vier para Minas Gerais, encontre uma carga tributária que seja favorável e que ele consiga se instalar e começar o seu negócio o mais breve possível. O Estado não pode ser inimigo desse empreendedor, pelo contrário, tem que ser parceiro desse empreendedor.
Quais são as prioridades concretas do seu projeto de governo para rodovias, ferrovias a fim de ampliar a competitividade logística do Estado?
A questão das ferrovias deve ser uma prioridade em Minas, porque é um Estado que tem uma grande extensão territorial. O transporte ferroviário é o mais barato. Então, isso impacta lá no produto final, favorece o consumidor e favorece o próprio empresário. E volto a falar da importância da articulação com o governo federal, porque o governo estadual não vai conseguir construir ferrovias que atravessem o Estado sozinho. A gente tem que ter bastante ciência e responsabilidade em dizer isso.
Então, o governador deve articular bem com o governo federal, isso independentemente de espectro político ou ideológico do presidente. Nós temos que pensar no desenvolvimento do Estado. O governador precisa articular para receber recursos federais e conseguir construir ferrovias que favoreçam o País inteiro. Ferrovias cruzando todo o Estado de Minas Gerais, como ocorre em países da Europa, por exemplo, favorecem toda a nação, porque você vai ter possibilidade de um produto que sai do sul de Minas, um café, por exemplo, que sai lá do sul de Minas, ele possa chegar ao Nordeste brasileiro, de forma muito mais barata, muito mais rápida, e com menor impacto ambiental do que os modais rodoviários que temos. Então, articulação, é um trabalho que terei, se governador de Minas for, com o governo federal para implantarmos em Minas ferrovias que cruzem todo o Estado.
Quanto à questão rodoviária, nós entendemos que também é outro gargalo que Minas tem não só na elevação do custo, mas também porque as estradas estão ruins e o produto automaticamente demora mais para chegar. Além disso, o empresário gasta mais porque as estradas estão esburacadas e o custo com manutenção aumenta também, fora os acidentes que levam o bem mais precioso que temos, que é a vida do povo mineiro.
Então, nós precisamos fazer sair esse anel rodoviário que está emperrado por questões políticas e jurídicas. Hoje, se você sai de Congonhas e precisa chegar em Sabará, você não faz isso com menos de duas horas. E nós não estamos falando de uma cidade muito distante da outra. Deve dar aí no máximo uns 100 km, até menos do que isso. E você não gasta menos de duas horas porque temos uma rota única e altamente perigosa.
O projeto do Rodoanel está pronto. Não precisa fazer um novo projeto. O que a gente precisa agora é articular com os setores da sociedade e com o Poder Judiciário e o Ministério Público, para demonstrar de forma inteligente e de forma direta que, primeiro, nós precisamos desse rodoanel porque ele vai impactar a economia de Minas, o setor de transporte e as vidas das pessoas. Nós estamos perdendo vidas nessas rodovias. Todos precisam entender isso e eles entenderão se houver um diálogo não autoritário. A arte política é você ser firme nas suas convicções, mas não ser autoritário. Então, é necessário que o governador tenha humildade e chame esses setores aqui em Minas.
Se está tendo um entrave por causa de comunidades quilombolas, porque o Rodoanel vai passar por algumas delas, então é preciso sentar com essas comunidades e demonstrar para elas o benefício que elas terão e explicar que você não está tentando destruir um patrimônio histórico. Se você senta e mostra os benefícios que elas terão, traz essas comunidades como atores importantes desse debate, essas próprias comunidades vão entender os benefícios e as compensações que podem ser feitas. Devem ser feitas compensações, porque se você vai passar uma estrada em uma comunidade histórica, onde as pessoas têm uma conexão histórica, você precisa compensar essa comunidade de forma que ela consiga se instalar em um outro lugar e que isso faça sentido para ela. Articulação é tudo. Política é isso, diálogo e democracia.
Agora, se o governo ficar numa queda de braço, a gente não vai conseguir tirar o projeto do papel, a gente vai atrasar o desenvolvimento do Estado e vai ser ruim para vida de todo mundo. Então, eu pretendo continuar sendo o democrata que sempre fui e promover essa interlocução entre governo do Estado, Ministério Público, poder judiciário, representantes da sociedade civil e prefeitos das cidades nas quais o Rodoanel vai passar. Isso exige a habilidade do diálogo que, graças a Deus, nós temos e não pretendemos perdê-la.
Minas Gerais convive há anos com o peso da dívida com a União, o que limita a capacidade de investimento do Estado. Como o senhor pretende equacionar esse passivo e ampliar a margem fiscal para projetos prioritários?
O pacto federativo é claro em demonstrar que deve haver harmonia entre os entes da Federação e autonomia desses entes. Então, não pode haver um ente, no caso a União, destruindo outro ente através de uma cobrança de dívida, no caso o Estado de Minas Gerais. Isso atenta frontalmente o pacto federativo. Nos próximos anos, nós vamos precisar demonstrar cabalmente, se necessário por vias judiciais, que a União está fazendo a cobrança de uma dívida com juros exorbitantes. O problema não é a dívida em si, são os juros que foram acumulados ao longo dos anos e tornaram a dívida de Minas uma dívida insustentável. Um ente não pode tornar a existência de outro ente insustentável. Com essa dívida de quase R$ 200 bilhões hoje, se continuar essa cobrança nos moldes como está, a vida dos mineiros deixará de seguir o seu curso normal. Como você vai priorizar o pagamento de uma dívida com juros exorbitantes e abusivos em detrimento de investir em hospitais, em segurança e em rodovias para o povo mineiro?
Então, primeiro é preciso chamar o Poder Judiciário, e é inevitável nós trazermos essa discussão para o Poder Judiciário, porque isso não se resolve meramente com interlocução entre governos. Segundo, é preciso fazer uma auditoria séria dessa dívida. Qualquer pessoa que for cobrada de uma dívida vai querer auditar essa dívida para saber se você deve aquilo mesmo, para saber se a incidência de juros de mora está correta.
Aqui em Minas, simplesmente existe uma aceitação de que a dívida existe, nunca houve uma auditoria independente e séria para mostrar se a dívida saiu desse valor e chegou a esse valor de modo correto, simplesmente pelo passar do tempo. Se ao final chegarmos à conclusão de que sim, Minas Gerais deve esse valor mesmo, essa cobrança é lícita, nós precisaremos renegociar a forma como pagamos isso, de forma não destrutiva para um ente da Federação, porque destruir, mesmo que de forma indireta, um ente da Federação, é inconstitucional. A Suprema Corte deve ser provocada para garantir a ordem do pacto federativo.
O que não pode é o governador dizer não tem como fazer a recomposição salarial, porque tem que passar o dinheiro daqui para a União. Isso não pode acontecer. A segurança pública precisa da recomposição salarial. Não se pode dizer não aos hospitais do Estado de Minas Gerais, à rede Fhemig, por exemplo, ou até mesmo aos hospitais dos municípios.
Quais políticas agrícolas o senhor defende e como pretende integrar tecnologia, crédito e assistência técnica para o produtor rural?
A primeira coisa é trazendo uma cultura de que o agro não é inimigo. O Brasil tem vivenciado um tempo em que há um combate ao agro, mas isso é leviano, é irresponsável, porque se você acorda pela manhã e toma um café, geralmente, o agro está lá naquele café que você tomou. Tanto no café, no leite, na fruta que você está comendo. E no almoço, o agro está ali. Então, o agro, ele é um setor da economia que está na nossa vida desde quando acordamos até o último biscoito de maisena que você comeu ali no final da noite antes de dormir.
Novamente, eu faço o link com o que eu disse antes sobre licenças. A exploração da terra pelo setor do agronegócio precisa ser sustentável, mas precisa ser factível. Eu não posso criar uma política em nome da conservação ambiental, mas que impossibilite a existência de um setor. Se nós entendemos que esse setor da economia está presente na nossa vida do amanhecer ao anoitecer, nós não podemos, através de regulamentos discricionários, impedir que esse produtor rural consiga plantar ali o seu meio de cultura, que ele possa expandir as suas terras, que ele possa criar o seu gado. A gente não pode criar políticas que impeçam isso, esse crescimento, porque é parte da nossa vida. A gente não consegue viver só de energia solar, né? A gente precisa de se alimentar também. Então, aqui em Minas, dialogar com esse setor, que é um dos principais setores aqui no Estado, para a gente entender como que a gente vai conseguir uma licença ambiental de exploração mais rápido, de forma responsável, mas para que você possa plantar e criar o seu gado conciliando a preservação ambiental com a exploração e o manejo.
Nós também precisamos promover a segurança no campo. Nós pensamos muito na segurança nas grandes cidades, mas o produtor rural, ele também precisa de segurança e formas de exercer essa sua segurança contra uma invasão injusta da sua terra ou um furto de gado, que acontece muito aqui em Minas Gerais. Então, nós precisamos de segurança no campo, destacamentos próprios da segurança pública com esse treinamento para promover essa segurança no agro.
Nós precisamos de um Poder Judiciário mineiro rápido, apto a impedir que haja tomada de terras do produtor rural aqui em Minas, porque existe isso aí. Nós estamos falando de uma constituição que está há quase 40 anos e nós ainda temos o direito à própria propriedade colocado em risco diversas vezes por questões meramente ideológicas. Então, nós precisamos de fortalecer o setor da agroindústria com tecnologia, criando polos de desenvolvimento, de conhecimento científico, para termos a melhor forma de explorar a terra de modo sustentável com menor custo possível e com o maior valor agregado. É preciso unir ciência, tecnologia e desenvolvimento aqui em Minas trazendo à mesa os representantes desse setor.
E se estamos falando de um setor que movimenta a economia, é um dos principais setores de Minas, o produtor rural, o agronegócio no geral, ele terá um espaço livre no Palácio do Governo, para ele chegar, sentar, dialogar, explicar as suas demandas, fazer os seus requerimentos e ter uma atenção especial do governo do Estado, porque estamos falando de um setor que movimenta a economia de Minas e põe comida no prato dos mineiros.
Como o senhor articula a agenda de segurança pública com a agenda econômica e quais são as prioridades do seu governo nessa área?
Primeiro, os policiais penais, civis e militares, incluindo o Corpo de Bombeiros, precisa de ser respeitado aqui em Minas. Se qualquer mal acontecer, nós buscamos as forças de segurança. Respeitar as forças de segurança de Minas deve ser prioridade de um governador de Estado. E não existe respeito maior a um trabalhador do que oferecer condições salubres de trabalho e salários justos. O policial, seja penal, civil e militar, quando chegar ao supermercado para fazer as compras, deve conseguir comprar o alimento para sua família viver com dignidade, deve conseguir pagar a sua moradia. Por isso, é preciso ajustar a recomposição salarial da tropa da segurança pública de Minas Gerais.
Além disso, precisamos de integrar as polícias para que haja uma apuração célere dos crimes para que a sociedade tenha as resoluções de conflitos de forma mais rápida.
Também precisamos de investir em equipamentos para a tropa. Estamos falando de uma tropa de mais de 40 mil policiais militares e muitos deles não tem o colete atualizado, o equipamento está defasado. Então, nós precisamos de promover a segurança pública para o cidadão promovendo a segurança da própria tropa. Como você vai atender a uma ocorrência policial com colete vencido? Isso é impensável, mas tem acontecido.
Minas sempre foi conhecido por ser um Estado ordeiro, pacífico. Ouso afirmar que se não tivermos um governo firme no combate ao crime organizado em Minas Gerais nos próximos oito, dez anos, Minas será um novo Rio de Janeiro. E eu falo isso por quê? Porque Juiz de Fora já é um uma cidade que está abrigando criminosos de facções criminosas do Rio de Janeiro, que se instalaram aqui e estão dominando territórios em Juiz de Fora.
No caso de Belo Horizonte, já é público e notório essa invasão. Existem áudios circulando amplamente nas redes sociais de facções criminosas dominando territórios e dizendo para motorista de aplicativo, que devem entrar nas comunidades aqui com o vidro fechado, luz interna apagada e farol aceso, se não esses trabalhadores vão ser fuzilados. O termo que eles usam é vai entrar na bala.
Ou seja, existem facções criminosas que já estão dominando territórios aqui em Minas Gerais. Essas facções devem ser combatidas com rigor e com uma letalidade eficaz. Quando eu falo de letalidade eficaz é o quê? As forças de segurança precisarão retomar esse território que pertence a Minas Gerais, pertence ao povo mineiro. E esse faccionado, ele deve ter apenas duas alternativas. Se ele está faccionado a uma facção criminosa, ele é um criminoso. Então, ou ele vai ser preso ou ele vai ser aniquilado pela força de segurança. O que ele não vai ter aqui em Minas ou no meu governo é a audácia de enviar áudios mais dizendo que o trabalhador deverá se acomodar com a ordem do crime organizado. Não, é o contrário. É o crime organizado que não deverá encontrar espaço aqui no Estado de Minas Gerais. Minas pertence ao povo ordeiro, povo trabalhador, povo honesto. Minas pertence ao pequeno empreendedor que trabalha de segunda a segunda, porque o empreendedor mesmo não tem feriado. Ele trabalha de segunda a segunda para fazer esse estado avançar. Minas pertence à senhora e ao senhor que acorda 5h30 da manhã, pega um coletivo lotado, depois pega o metrô, faz baldeação e vai trabalhar e volta para casa às 7h30 da noite. Minas é de povo trabalhador, Minas é de povo que paga as suas contas, Minas é de povo honesto e gente de bem. Então, nós não vamos aceitar, nós não teremos leniência com facções criminosas aqui em Minas Gerais.
E eu sou o único pré-candidato que tem a coragem de dizer isso. Sim, a polícia de Minas Gerais vai ter autorização para prender ou aniquilar faccionados. Porque esse pessoal não está no Estado de Direito. Nós temos que entender o seguinte, existem pessoas que estão sob a égide de uma Constituição da República. Essas pessoas estão cumprindo os seus deveres, você está pagando seus tributos, você não está violando direito de ninguém. Eu também não estou. Estou aqui como homem trabalhador, uma pessoa de bem que me submeto à Carta da República, me submeto à Constituição de 88, me submeto ao Código Penal de 1940, me submeto ao Código Civil e o Código de Processo Civil. Nós somos cidadãos e devemos ser tratados como cidadãos. Agora, quem está criando um estado paralelo com código penal próprio, porque você tá dizendo que se entrar com vidro fechado e luz interna apagada e farol aceso vai tomar bala, esse faccionado está criando um código penal próprio, um código de processo penal próprio. Esta pessoa não está sob a sob a égide da Constituição da República. Então, ela não deve ser tratada como cidadão de direitos no Estado de Minas Gerais, não será tratada. Será tratada se se submeter à Constituição. E a Constituição garante a todo cidadão brasileiro o direito de ir e vir. A Constituição garante a todo cidadão brasileiro, e cidadão mineiro, consequentemente, o direito à vida.
Então, eu não posso, eu não tenho o direito de estabelecer um território no qual eu digo: “Aqui quem manda sou eu, aqui quem manda é a facção tal” e expulsar o morador, porque a maioria dos moradores de aglomerados são pessoas de bem. E essa pessoa não pode comprar um celular, não pode botar uma geladeira dentro de casa, por quê? Porque tem tiro correndo na sua comunidade o tempo inteiro, não pode entrar na sua casa a hora que deseja, não pode sair a hora que deseja. Então, nós temos que fazer o quê? Criar um estado onde as facções do Brasil vão entender que Minas não dá. Se quiserem se instalar em outro país, aí é problema de outro país para lá, mas em Minas não será possível porque a polícia estará pronta para devolver o território ao povo mineiro e, se for necessário que a polícia use da força letal, ela vai usar da força letal porque você precisa de segurança, eu preciso de segurança.
Você que está nos assistindo, precisamos de segurança, direito de ir e vir e viver num estado onde a lei e a honestidade prevaleçam e não um estado onde uma facção determina como ela vai ditar as regras. Aqui em Minas isso não vai acontecer não.
O desenvolvimento regional passa pela relação entre governo do Estado e, no caso de Minas, os 853 municípios com realidades muito distintas. Como o senhor pretende estruturar a relação do Estado com os municípios para reduzir desigualdades regionais e potencializar vocações econômicas locais?
Há séculos, a melhor forma de desenvolver-se economicamente chama-se trabalho. Então, se eu for o governador desse Estado, nós vamos levar postos de trabalho a regiões do Estado que hoje estão dependentes de auxílios governamentais. Isso é possível através de uma divisão inteligente do Estado em setores industriais e de renúncias fiscais inteligentes.
Vou trazer um exemplo prático. Nós temos uma grande montadora com capacidade de criar 2 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Como governador, vou escolher uma região de Minas onde o índice de desenvolvimento humano está baixo por ser uma localidade com falta de oportunidade de trabalho e maior pobreza. A nossa proposta para a montadora seria ela se instalar na região escolhida, contratar mão de obra local e receber renúncia fiscal. O empreendedor, e eu falo isso porque eu sou empresário também, está olhando para a folha de pagamentos e a folha tributária o tempo todo.
A proposta é criar polos estratégicos de industrialização em Minas, onde empresas serão implantadas, gerando emprego na região, desenvolvendo aquela região. Dessa forma é possível combater a pobreza dessas regiões.
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