Como funciona a urna eletrônica? Tire suas principais dúvidas antes de votar

Entenda, de forma simples e com base em informações oficiais, como a urna eletrônica registra, protege e apura os votos, além dos mecanismos de segurança que garantem a confiabilidade das eleições
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Como funciona a urna eletrônica? Tire suas principais dúvidas antes de votar
Foto: Reprodução Adobe Stock

Há 30 anos em operação, a urna eletrônica transformou o processo eleitoral brasileiro ao eliminar riscos de fraude e trazer mais confiança e segurança às eleições. Mesmo diante da credibilidade inquestionável, o software ainda é vítima de constantes fake news que colocam em xeque a lisura do pleito.

Para esclarecer fatos e fakes sobre este importante equipamento, a reportagem reúne algumas respostas para as dúvidas mais frequentes, todas respaldadas em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como funciona uma urna eletrônica?

A urna eletrônica funciona graças ao seu software, desenvolvido e aprimorado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 1996. Inicialmente, o sistema utilizava diferentes sistemas operacionais, mas, a partir de 2008, todas as urnas passaram a operar com o Uenux, plataforma baseada em Linux criada pela equipe técnica do TSE.

O software garante o registro seguro, sigiloso e auditável dos votos, além de controlar eleitores, apurar resultados e gerar boletins de urna. Todo esse sistema é preparado e instalado antes de cada eleição por servidores e técnicos da Justiça Eleitoral, que asseguram o funcionamento confiável das urnas em todo o País.

A urna eletrônica é conectada à internet?

Segundo o coordenador de tecnologia eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rafael Azevedo, a urna eletrônica não tem acesso à internet, pois seu único objetivo é coletar os votos para, posteriormente, apurá-los. “Além dela não ter conexão, não possui qualquer chip que possa fazer essa conexão, seja por Wifi, bluetooth ou cabo”, completa.

Como a urna é testada antes da eleição?

De acordo com o TSE, o Teste de Integridade, que ocorre nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) no mesmo dia da eleição, é acompanhado por uma empresa de auditoria externa. O processo consiste em uma espécie de batimento cujo objetivo é verificar se o voto depositado é o mesmo que será contabilizado pelo equipamento.

O teste simula uma votação normal e leva em consideração as circunstâncias que podem ocorrer durante o pleito. Sendo assim, segue o mesmo rito de uma seção eleitoral comum, como emissão da zerésima (documento que comprova não haver nenhum voto na urna antes da votação) e impressão do Boletim de Urna (BU), relatório impresso que contém a apuração dos votos armazenados no equipamento. A fiscalização é feita pela Justiça Eleitoral desde 2002 e até hoje nenhuma divergência foi detectada.

A urna pode ser infectada por softwares maliciosos ou mutantes?

Não. O TSE afirma que as urnas eletrônicas são protegidas contra esse tipo de aplicação. Para contextualizar, softwares mutantes são aplicações maliciosas, como os vírus. Mas, ao serem instalados, atuam de forma diferente: o software mutante, após realizar o ataque pretendido, pode se modificar e se passar por um aplicativo autêntico, sem deixar rastros.

Por que o voto não é impresso?

O voto não é impresso pela urna eletrônica devido ao princípio constitucional de sigilo do voto e às vulnerabilidades associadas à manipulação de papel, essencialmente as mesmas que já existiam quando o voto não era eletrônico.

Existe identificação de quem votou em determinado candidato?

A urna eletrônica utiliza diversos mecanismos de segurança para impedir qualquer vinculação entre o eleitor e seu voto. Conforme o TSE, os votos são salvos de maneira embaralhada para não comprometer o sigilo. O sistema também não grava o momento exato em que cada voto foi depositado.

Já o terminal do mesário registra apenas que o eleitor votou (para impedir votação múltipla), enquanto o terminal do eleitor registra o voto em si sem ligação entre as duas informações.

O que acontece se faltar energia?

As urnas eletrônicas brasileiras contam com uma bateria interna que permite o funcionamento do equipamento por até dez horas sem energia elétrica. O período de votação no Brasil vai das 8h às 17h (nove horas no total), portanto a bateria tem capacidade para cobrir todo o tempo necessário e ainda uma margem de segurança.

Se faltar energia elétrica na seção e a carga da bateria interna se esgotar, há também a bateria externa da urna, com duração semelhante à da bateria interna.

E se a urna apresentar defeito durante a votação?

Se a urna eletrônica apresentar defeito no dia da eleição, a votação não é interrompida e os votos já registrados não são perdidos. A Justiça Eleitoral possui procedimentos de contingência bem definidos para garantir a continuidade do processo eleitoral.

Um deles é substituir a urna defeituosa por uma urna de contingência: tanto o flash card quanto o disquete de votação são transferidos da urna com defeito para a urna reserva, garantindo que todos os votos já computados sejam preservados. A urna de contingência é então lacrada e passa a ser a urna oficial da seção.

Nos casos em que a adoção da urna de contingência não consegue sanar o problema, a última alternativa é adotar a votação manual por cédulas.

Como é feita a apuração?

Após às 17 horas, quando a eleição é encerrada, a apuração dos resultados é feita automaticamente pela urna eletrônica. Nesse momento, ela imprime, em cinco vias, o Boletim de Urna (BU), que contém a quantidade de votos registrados para cada candidato e partido, além dos votos nulos e em branco.

Uma das vias impressas é afixada no local de votação, visível a todos, de modo que o resultado da urna se torna público e definitivo. Vias adicionais são entregues aos fiscais dos partidos políticos.

Esse processo de apuração é realizado pela urna eletrônica antes da transmissão de resultados, que ocorre por uma rede de transmissão de dados criptografados. Ao chegarem ao TSE, a integridade e autenticidade dos dados são verificados e se inicia a totalização (a soma) dos resultados de cada uma das urnas eletrônicas, por um supercomputador localizado fisicamente no tribunal.

O resultado final divulgado pelo TSE sempre correspondeu à soma dos votos de cada um dos boletins de urna impressos em cada seção eleitoral do País.

Portanto, o resultado definitivo de cada urna sai impresso e é tornado público após a votação, e ele pode ser facilmente confrontado, por qualquer eleitor, com os dados divulgados pelo TSE na internet, após a conclusão da totalização. Os partidos e outras entidades fiscalizadoras também podem solicitar todos os arquivos das urnas eletrônicas e do banco de dados da totalização para verificação posterior.

Onde consultar informações confiáveis?

As fontes mais confiáveis para consultar informações sobre o processo eleitoral no Brasil são os sites oficiais da Justiça Eleitoral, especialmente o do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de cada estado.

Os interessados em fiscalizar a votação também podem:

  • acompanhar o desenvolvimento dos sistemas eleitorais;
  • participar do Teste Público de Segurança da urna eletrônica;
  • acompanhar a preparação das urnas eletrônicas e o teste de integridade no dia da votação;
  • verificar os boletins de urna impressos nas seções ou obter sua versão digital por QR Code;
  • ter acesso a todos os arquivos eletrônicos gerados na eleição para verificações; entre outros.
Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa e assessoria de imprensa. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/daniel-de-andrade-1b845526

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas