Política

Governo promete corrigir falhas no crédito do Move Brasil após queixas de motoristas

Ministro Guilherme Boulos afirma que Executivo cobrará bancos para eliminar exigências indevidas, agilizar a liberação dos financiamentos e ampliar o acesso ao programa
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Governo promete corrigir falhas no crédito do Move Brasil após queixas de motoristas
Foto: Diário do Comércio / Leonardo Morais

O governo federal pretende solucionar as dificuldades de acesso à linha de crédito do programa Move Brasil após relatos de motoristas sobre problemas na contratação do financiamento. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov, nesta terça-feira (30), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, apontou os principais entraves e criticou práticas adotadas por instituições financeiras que, segundo ele, dificultam o acesso ao programa.

Segundo o ministro, há três principais entraves para a implementação do programa. O primeiro é a rejeição do cadastro de beneficiários, mesmo sem restrições no nome, em razão do score ou rating bancário. Boulos afirmou que esse tipo de recusa não deveria ocorrer, já que a linha de crédito conta com a garantia do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI).

“Se a pessoa tem nome limpo e o governo está entrando com o fundo garantidor, esse crédito deve ser aprovado”, pontuou.

O ministro acrescentou que a questão está relacionada à atuação das instituições financeiras responsáveis pela concessão do crédito. Segundo ele, parte dos bancos tem imposto exigências que não estão previstas nas regras da linha de financiamento.

Outro ponto citado foi a cobrança de entrada por parte de algumas instituições financeiras. Segundo Boulos, o Move Brasil não exige esse pagamento e ainda prevê carência de até seis meses para o início das parcelas. “Se uma instituição bancária pedir entrada, não aceite e procure outra instituição”, aconselhou.

Durante a entrevista, Boulos lembrou que o governo, por meio do Conselho Monetário Nacional (CMN), também proibiu a cobrança de taxas para abertura de crédito e de contas bancárias aos motoristas atendidos pelo programa, prática que vinha sendo adotada em alguns casos.

O terceiro entrave citado envolve a integração automática entre o sistema do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), operador do programa, e as demais instituições financeiras. Segundo o ministro, em alguns casos o intervalo entre a aprovação do financiamento e a emissão da carta de crédito tem levado vários dias.

“Isso ocorre porque os bancos não fizeram o link automatizado do sistema do BNDES e são eles quem devem fazer”, explicou.

Segundo Boulos, a demora tem gerado desinformação entre os trabalhadores de aplicativos, que questionam o motivo de não receberem os recursos mesmo após a aprovação do financiamento. Para solucionar o problema, o ministro informou que pretende se reunir com bancos, BNDES e representantes do governo federal.

O ministro também destacou que o Move Brasil permite ao motorista adquirir o próprio veículo com parcelas inferiores aos valores cobrados pelas locadoras.

Ampliação do acesso ao crédito

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é WhatsApp-Image-2026-05-29-at-11.38.35.jpeg
Foto: Divulgação Agência Gov

Segundo Boulos, o governo trabalha para corrigir os problemas identificados na operação do programa e ampliar o acesso ao crédito para todos os beneficiários, incluindo os motociclistas, que passaram a ser atendidos a partir de 13 de julho.

Outra preocupação do governo é ampliar o acesso dos caminhoneiros ao programa. Segundo o ministro, a iniciativa deve atender tanto os frotistas quanto os autônomos, que enfrentaram dificuldades para obter crédito na primeira versão.

O ministro afirmou que, quando o programa contempla apenas os frotistas, o benefício acaba concentrado nas empresas. Já a inclusão dos autônomos permite que o crédito chegue diretamente aos caminhoneiros. “Nesse tema, o nosso foco são os autônomos”, afirmou.

Segundo Boulos, bancos públicos e privados têm priorizado caminhoneiros vinculados a empresas por considerarem esse perfil de menor risco de inadimplência. O ministro, porém, argumenta que a existência do fundo garantidor reduz esse risco também para os trabalhadores autônomos.

“O governo está entrando com o fundo garantidor e o banco não irá perder; qual é a dificuldade? Às vezes é uma barreira de preconceito financeiro para aprovar o crédito para um motorista de Uber e do caminhoneiro autônomo, do motoboy e do taxista”, disse.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas