Política

Pré-candidata do Psol critica privatização da Copasa e aposta em Lula para ‘aliviar’ dívida de Minas

Primeira entrevistada do podcast Eleições Minas 2026, pré-candidata do Psol critica privatizações e propõe frente para articular movimentos sociais e partidos de esquerda
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Pré-candidata do Psol critica privatização da Copasa e aposta em Lula para ‘aliviar’ dívida de Minas
Maria da Consolação | Foto: Diário do Comércio/ Guilherme Ferreira

A pré-candidata ao governo de Minas pelo Psol, Maria da Consolação, acredita que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um passo importante para renegociar a dívida de Minas Gerais com a União. Ela também propõe a construção de uma frente de esquerda e se posiciona contra a privatização da Copasa.

Professora aposentada da rede pública de ensino de Belo Horizonte e uma das fundadoras nacionais do partido, criado em 2003, ela é a segunda entrevistada do podcast Eleições Minas 2026, do Diário do Comércio. Trata-se de uma série de entrevistas com pré-candidatos ao governo para discutir temas ligados ao desenvolvimento econômico e aos desafios estratégicos do Estado.

Em entrevista à jornalista Ana Karenina Berutti, a educadora, cuja trajetória é marcada pela defesa do direito à terra e pela luta pela reforma agrária, fez críticas ao atual governo estadual.

“Estamos enfrentando um projeto de pessoas da terceira ou quarta geração de descendentes de escravocratas. Então, eles querem manter a lógica da escravidão. Nós estamos disputando a lógica da libertação, e quando falamos dos nossos territórios e de preservar os nossos direitos, é essa disputa”, destacou.

A pré-candidata também mencionou temas que, segundo ela, serão priorizados nos primeiros 100 dias de governo, caso seja eleita. “Temos que já ter ações para garantir que a Copasa continue nas mãos da população. Água é um direito social, um direito humano, não é mercadoria”, declarou a pré-candidata, crítica à privatização das estatais mineiras.

Segundo Maria da Consolação, quem defende propostas de privatização “não tem perspectiva de futuro de soberania do nosso País”. “Essas pessoas têm uma concepção de subordinação do Brasil e, no caso de Minas Gerais, ao capital internacional”, destacou.

Dívida de Minas e privatizações

Durante a entrevista, a fundadora do Psol também afirmou que a dívida do Estado com a União “foi enrolada”. “O governo demorou a fazer o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e, quando o fez, aproveitou para realizar algo que não precisava, que é privatizar tudo”, pontuou.

De acordo com a educadora, o compromisso do Psol é reeleger o presidente Lula para dar continuidade a um projeto de País que contemple tarifa zero, moradia para todos, reforma agrária, soberania nacional e proteção dos biomas.

Ela também afirmou que a reeleição do atual presidente é um passo importante para renegociar a dívida de Minas Gerais com a União, mas avalia que um eventual acordo não pode se sobrepor à garantia de direitos sociais. “O dinheiro tem que ser investido para garantir saúde, educação, moradia, transporte e lazer para as pessoas. Ao garantir isso, nós vamos produzir mais, vamos arrecadar mais e ter melhores condições de fazer o acerto dessa dívida”, disse.

A pré-candidatura de Consolação ao governo do Estado propõe a criação de uma frente chamada Minas Socialista, cujo objetivo é articular movimentos sociais e partidos de esquerda e progressistas para discutir propostas para o futuro de Minas Gerais e do Brasil. “E aí, nós precisamos fazer uma coisa, muito urgente, dentro de 100 dias: uma secretaria para debater a questão climática, porque temos que dar uma resposta a essa questão que afeta o cotidiano da vida das pessoas”, concluiu.

A entrevista completa com a pré-candidata será publicada nesta quarta-feira (24) no canal do Diário do Comércio no YouTube.

Também estão previstas entrevistas com os pré-candidatos Flávio Roscoe (PL), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg); Ben Mendes (Missão), criador de conteúdo; Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte; Jarbas Soares (PSB), ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais; e Mateus Simões (PSD), atual governador do Estado. O primeiro entrevistado foi o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).

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