Varejo supermercadista projeta alta de 6,2% nas vendas de fim de ano
O consumo das famílias mineiras crescerá 6,2% neste fim de ano na comparação com o mesmo período de 2025. Esse bom desempenho do varejo supermercadista de Minas Gerais está atrelado, principalmente, à sazonalidade de Natal e demais festividades do período.

De acordo com pesquisa realizada pela Associação Mineira de Supermercados (Amis), as frutas in natura e o vinho serão os produtos com maior avanço na expectativa de vendas, com variações positivas de 8,2% e 8%, respectivamente. Em seguida, aparecem as carnes suínas (6,72%), cervejas diversas (6,7%), todas as categorias de panetones (6,3%), os refrigerantes (5,3%) e a carne bovina (5,16%).
O estudo foi apresentado durante a coletiva de lançamento da 38ª edição da feira Superminas Food Show, realizada no Expominas, em Belo Horizonte. O evento começou nesta terça-feira (27) e seguirá até quinta-feira (29), com a expectativa de receber mais de 60 mil participantes, cerca de 600 expositores dos setores de varejo e indústria, além de movimentar cerca de R$ 3,3 bilhões em negócios.
Além disso, o estudo demonstra que a demanda por itens voltados para a saudabilidade e bem-estar deve ganhar ainda mais força durante as festividades. Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão os novos hábitos alimentares que vêm mudando o perfil do consumo no supermercado. O crescimento desse tipo de produto já havia sido verificado na edição do ano passado.
A maioria dos supermercadistas mineiros acredita que itens como proteínas, inclusive as líquidas, e os produtos ‘três zeros’ (zero açúcar, zero álcool e zero glúten) deverão ser a tendência de maior demanda no fim deste ano. A cerveja zero álcool é o produto de maior avanço em toda a pesquisa, com 10% de expectativa de crescimento.
Durante a coletiva de lançamento da Superminas 2026, o presidente executivo da Amis, Antônio Claret Nametala, destacou que produtos como os suplementos alimentares já estão presentes até nas pequenas redes varejistas localizadas no interior de Minas. Isso é um sinal claro da atual mudança de habito das pessoas. “Quem não tem esses produtos em sua loja está perdendo venda”, afirma.
Contratações nos supermercados mineiros

O varejo supermercadista também prevê a contratação de 8.530 funcionários no regime de emprego temporário para reforçar o atendimento durante as vendas de fim de ano. No entanto, de acordo com levantamento feito pela associação, a maioria dos empresários do setor (81%) aponta a contratação de profissionais como o maior desafio no momento.
Essa parcela está 9,6 pontos percentuais (p.p.) abaixo do registrado em 2025 (90,6%). Outros 9,5% dos entrevistados citaram a alta dos custos como uma das maiores dificuldades da empresa e 4,8% mencionaram o aumento da concorrência no mercado.
O percentual de empresas que vão contratar, em diferentes proporções em relação ao quadro fixo, chegou a 71,4% no fim deste ano, contra 28,6% que não planejam realizar qualquer contratação no período. A maioria (69%) dos respondentes avalia que, além do reforço da equipe para o período, a contratação também é uma estratégia para atrair trabalhador temporário, que pode optar por permanecer na empresa.
A justificativa desse grupo é que o fato de o contrato ser temporário poderá atrair a atenção de muitos jovens e demais candidatos que pretendam ficar apenas um período, mas se identificam com o trabalho no setor e podem se tornar efetivos. A pesquisa mostra ainda que 17,8% dos contratados são efetivados ao fim do contrato temporário.
O presidente do conselho diretor da Amis, Alexandre Poni, destacou que o setor tem debatido a implementação da escala com cinco dias de trabalho e dois de folga por semana (escala 5×2), e ressaltou a necessidade de uma regulamentação de alguns detalhes dessa nova legislação.
“Nós ainda precisamos de um acordo coletivo para chegarmos às 42 horas trabalhadas. O setor terá que se reinventar e encontrar alguma forma de resolver isso”, diz.
De maneira geral, ele avalia que ainda é muito cedo para descrever como o segmento agirá daqui pra frente, mas também garante que há inúmeros movimentos sendo implementados visando a adequação a essa escala. O dirigente mencionou o papel do supermercado como vetor de abastecimento e de consumo na sociedade.
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Já Claret apontou para a preocupação do setor quanto a data de início dessa nova medida, que está prevista para o dia 16 de dezembro. Segundo ele, algumas entidades representantes do setor de comércio já iniciaram as conversas com o governo para chegar a uma solução.
“Esse é um período de maior aquecimento das vendas não só para os supermercados, mas para o varejo inteiro, quando precisamos de um volume de mão de obra extraordinária e que já não encontramos normalmente”, relata.
Sobre esse tema, Poni acrescentou que a escala 5×2 exigirá dos supermercados a contratação de um número ainda maior de funcionários para cumprir a mesma escala de horas trabalhadas nas lojas. Uma das formas de solucionar essa questão, segundo ele, seria a adoção do modelo de contratação por horas trabalhadas.
“Isso também seria um facilitador para o próprio trabalhador e não apenas para o supermercado, pois engloba as lacunas daquelas pessoas que podem trabalhar dentro dos horários que desejarem. Nossa expectativa é de uma lei federal para esse modelo, sem a perda dos direitos dos trabalhadores”, afirma.
Adoção de novas tecnologias

Quanto à adoção de ferramentas tecnológicas, 80,5% dos supermercadistas entrevistados pela entidade afirmam já adotar a inteligência artificial (IA) no negócio em alguma medida; contra 19,5% que disseram não utilizar a ferramenta.
A maioria das varejistas (35,7%) que utilizam a ferramenta afirma que emprega a IA nos setores de comunicação e marketing. As outras áreas de maior destaque são as opções “em diversos setores da empresa” (26,2%) e compras e comercial (14,3%). Poni avalia que a IA trará mais velocidade e governança para as operações, além de beneficiar a tomada de decisões, por meio da sistematização do processo.
“A IA é ferramenta e não uma solução. Ela é mais uma ferramenta para possibilitar uma melhor gestão, decisão, interlocução com o consumidor. Tudo é muito novo e, portanto, ainda não é o momento para falar que isso é uma condição essencial para o negócio”, acrescenta.
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O executivo explicou que tecnologias como o self-checkout, ou caixas de autoatendimento, são ferramentas úteis para solucionar alguns problemas da operação, como as filas no caixa. Ele ressaltou que essa tecnologia não veio para substituir a mão de obra humana e, sim, agilizar o atendimento.
Inclusive, o empresário destacou a importância da pessoalidade no atendimento ao cliente. Portanto, ele acredita que a adoção do self-checkout precisa estar acompanhada de uma equipe de profissionais preparados para auxiliar o funcionamento e o uso da ferramenta.
“Hoje o self-checkout serve para momentos de grande movimento, agindo como um facilitador. É lógico que lidar com a máquina não é algo simples, mas a tecnologia está vindo para ficar cada vez mais interativo com o cliente”, avalia.
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