Mosaic amplia layoff em Uberaba, com término previsto para 2027

A companhia iniciou a hibernação gradual da planta de fertilizantes em setembro, devido à crise no fornecimento de enxofre
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Mosaic amplia layoff em Uberaba, com término previsto para 2027
Foto: Divulgação/ Mosaic

A Mosaic prorrogou de quatro para cinco meses a suspensão temporária dos contratos de funcionários do Complexo Industrial de Uberaba (CIU), no Triângulo Mineiro. A primeira turma a entrar em layoff, de 250 colaboradores, está prevista para retornar às atividades no fim de janeiro, enquanto a segunda, com cerca de 70, deve voltar no final de fevereiro.

As informações são da presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Fabricação de Álcool, Plásticos, Cosméticos, Fertilizantes, Químicas e Farmacêuticas de Uberaba e Região (Stiquifar), Graça Carriconde. “A nossa unidade é a principal da empresa no Brasil. Estou muito preocupada. Vamos lutar e defender os postos de trabalho”, afirma.

Conforme o Diário do Comércio informou em julho, a Mosaic decidiu pela hibernação gradual da planta no município a partir do início de setembro, devido à crise global no fornecimento de enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. Outras operações também tiveram a produção reduzida ou suspensa.

Anteriormente, a companhia já havia anunciado, pelo mesmo motivo, a paralisação dos complexos de mineração de Tapira (CMT) e Patrocínio (CMP), no Alto Paranaíba, além do fechamento do Complexo Mineroquímico de Araxá (CMA), na mesma região. A unidade araxaense está à venda, e a mineradora St George Mining demonstrou interesse na aquisição.

Procurada, a Mosaic não respondeu se ampliou o layoff em Uberaba. Em nota, a empresa ressalta que a hibernação gradual do complexo industrial começou em 1º de setembro, com a suspensão temporária dos contratos de trabalho, por um período de dois a cinco meses.

A empresa diz também que a duração das restrições ainda é incerta e depende de fatores externos, como estabilização dos preços do enxofre, normalização das cadeias globais de suprimentos, reabertura de rotas marítimas internacionais e evolução do cenário geopolítico.

Remanejamento de trabalhadores de turno e reivindicações do sindicato

Segundo Graça Carriconde, ainda atuam no complexo industrial da Mosaic em Uberaba cerca de 250 colaboradores. Desses, cerca de cem serão transferidos do turno noturno para o diurno a partir do dia 23 deste mês, passando da área operacional para a administrativa. A companhia não respondeu à reportagem sobre a mudança da jornada dos funcionários.

A presidente do Stiquifar explica que diversas áreas produtivas da planta entraram em hibernação e a ideia da empresa é manter somente de duas a quatro pessoas em cada setor de produção para cuidar dos equipamentos. Ela ressalta que o remanejamento pode afetar significativamente a remuneração e os benefícios dos trabalhadores envolvidos.

Pelo acordo coletivo de trabalho (ACT) assinado anteriormente, os colaboradores remanejados terão a gratificação de trabalho de turno (GTT) e o vale-lanche garantidos até dezembro. No entanto, o sindicato reivindica que essas garantias sejam estendidas também após esse período, para evitar novas perdas para os funcionários.

O Stiquifar se reuniu com a diretoria da Mosaic nesta semana para tratar desse assunto e iniciar às discussões sobre a renovação do acordo coletivo. Graça Carriconde diz que a companhia alegou não ter condições de conceder reajuste salarial no momento. Diante desse cenário, foi proposto para a empresa manter os salários-base, sem reajuste, e aumentar em 33% o valor do ticket-alimentação, saindo de R$ 750 para R$ 1.000.

Outro pedido do sindicato, que ficou de ser analisado pela Mosaic nos próximos dias, é a criação de um programa de demissão voluntária (PDV). “Sabemos que tem muita gente no layoff que está pedindo para ser mandado embora. Seria uma alternativa”, diz a presidente.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)