Número de empresas em falência em Minas Gerais cresce 18% em um ano

Estado chegou ao terceiro trimestre de 2026 com 454 empresas em falência e outras 525 em recuperação judicial, segundo levantamento da PreservaCred
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Número de empresas em falência em Minas Gerais cresce 18% em um ano
Foto: Reoprodução/ Adobe Stock

Minas Gerais chegou ao terceiro trimestre de 2026 com 454 empresas em situação de falência, alta de 17,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando o estoque era de 385 negócios. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, quando havia 433 empresas nessa condição, o avanço foi de 4,8%. Os dados são da PreservaCred, com base no cadastro da Receita Federal.

Além das empresas já registradas em situação de falência, o levantamento aponta que outras 525 estão em recuperação judicial no Estado. Com isso, Minas Gerais reúne 979 empresas em recuperação judicial ou falência. Na proporção, são 202 empresas nessa situação para cada 100 mil negócios registrados no Estado.

O estoque de empresas em falência apresenta crescimento contínuo ao longo de 2026. No primeiro trimestre, eram 409 negócios nessa situação. O número passou para 433 no segundo trimestre e alcançou 454 entre julho e setembro.

Apesar do avanço no estoque, os registros judiciais de novos pedidos de falência foram menores. Segundo a PreservaCred, três processos foram capturados nas publicações oficiais dos tribunais mineiros no terceiro trimestre de 2026. No mesmo período, foram identificados 18 pedidos de recuperação judicial, três de recuperação extrajudicial e quatro de tutela cautelar.

Os números de estoque e de pedidos judiciais representam indicadores diferentes. Enquanto o primeiro considera as empresas registradas pela Receita Federal em situação de falência ou recuperação judicial, o segundo contabiliza os processos identificados nas publicações dos tribunais durante determinado período.

Indústria de transformação concentra maior taxa de insolvência

Entre as atividades econômicas, a indústria de transformação reúne 239 companhias em recuperação judicial ou falência em Minas Gerais. Desse total, 117 passam por recuperação judicial e 122 apresentam situação cadastral de falência.

A indústria de transformação também apresenta a maior taxa de insolvência entre as atividades econômicas analisadas. São 1,1 mil empresas em recuperação judicial ou falência a cada 100 mil companhias do setor, o equivalente a aproximadamente 1,14% do total. O indicador considera a proporção de empresas nessas condições em relação ao universo de cada atividade econômica, permitindo comparar setores de tamanhos diferentes.

Na sequência, aparecem a agricultura, pecuária e pesca, com 861,8 empresas em recuperação judicial ou falência a cada 100 mil companhias, o equivalente a 0,86% do total do segmento. Nesse setor, são 45 empresas em recuperação judicial e seis em falência. Já em transporte, armazenagem e correio, a taxa chega a 735,5 a cada 100 mil, ou 0,74% das empresas. O segmento reúne 65 companhias em recuperação judicial e 14 em falência.

O comércio e reparação de veículos, atividade com o maior número de empresas na base analisada, concentra 263 companhias em situação de insolvência, sendo 113 em recuperação judicial e 150 em falência. Apesar de liderar em números absolutos, o setor apresenta uma taxa proporcional menor: são 363,9 empresas nessa condição a cada 100 mil, o equivalente a 0,36% do total.

Já a construção civil contabiliza 84 empresas em recuperação judicial ou falência, enquanto as atividades financeiras e de seguros somam 74.

O levantamento considera as 21 seções da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae), de acordo com a atividade principal de cada empresa. A base da Receita Federal utilizada tem como referência 15 de setembro de 2026 e considera apenas matrizes, excluindo microempresas e empresas com situação cadastral baixada. Filiais não são contabilizadas como empresas distintas.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.