Domingos Sávio e Superman pedem desistência de Zema e apoio a Flávio Bolsonaro já no primeiro turno

Os candidatos do PL e do Novo defenderam impeachment de ministros, revisão da dívida de Minas e fim do modelo atual de emendas
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Domingos Sávio e Superman pedem desistência de Zema e apoio a Flávio Bolsonaro já no primeiro turno
Foto: Luísa Cambraia

A corrida pelo segundo voto da direita dominou a sabatina do Minas Presente desta quarta-feira (23), programa que é resultado da parceria entre Diário do Comércio, TV Horizonte, rádio América FM 107,1 e América TV. Em entrevistas separadas, os candidatos ao Senado Domingos Sávio (PL) e Marco Antônio Costa, o Superman (Novo), defenderam que o ex-governador de Minas e atual candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, desista da disputa e apoie, ainda neste primeiro turno das eleições, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

Eles apresentaram propostas convergentes para Minas, como renegociar a dívida de mais de R$ 200 bilhões com a União sem privatizar Cemig e enquadrar o Supremo Tribunal Federal (STF), mas expuseram a divisão da direita no Estado, com cinco nomes disputando o mesmo eleitorado.

O ponto de maior alinhamento entre os dois foram os ataques ao Supremo. Ambos classificaram como “autocráticas” decisões monocráticas da Corte e defenderam que o Senado retome seu papel de freio, inclusive com análise de pedidos de impeachment. Foi também unânime a crítica ao sequestro do orçamento pelas emendas parlamentares. Mas as diferenças apareceram na estratégia para o governo do Estado, pois Superman se equilibra entre dois palanques, gerando incômodo interno no Novo.

Domingos Sávio defende mandato de oito anos para ministros do STF

Deputado federal no quarto mandato, veterinário e produtor rural, Domingos Sávio, 69 anos, chegou às eleições como candidato oficial do bolsonarismo em Minas – lançado em Brasília com a presença de Flávio Bolsonaro. Ele disse que “faltou humildade” a Zema ao insistir em disputar a Presidência sendo que o Novo não tem nem tempo de propaganda eleitoral. “Isso me deixa triste, mas Zema deveria apoiar o Flávio Bolsonaro no primeiro turno”, afirmou.

A polêmica envolvendo o STF e o Banco Master tomou conta da sabatina. Domingos Sávio prometeu “trabalhar duro” pelo impeachment de ministros do STF e disse que o ministro Alexandre de Moraes atuou como “advogado de defesa” no caso Banco Master, além de acusar a Corte de “rasgar a Constituição”. O candidato defendeu mandato de oito anos para ministros e fim das decisões monocráticas.

Sobre a dívida mineira, o candidato do PL afirmou que Minas não pode pagar a conta entregando Cemig e Gasmig, e que votará contra qualquer modelo do Propag que imponha federalização sem compensação justa. Em relação à privatização da Copasa, ele é favorável e cobra que o saneamento chegue à maioria dos municípios mineiros até 2033, como prevê o Marco Legal do Saneamento Básico, que ele votou a favor.

Domingos Sávio disse ainda que pretende carimbar mais da metade de suas emendas para a saúde, mas admitiu que o modelo atual precisa de mais transparência. Segundo ele, o governo federal vem diminuindo cada vez mais às vendas do SUS. “Com isso, as santas casas no interior pagam para trabalhar para o SUS e ficam totalmente dependentes de emendas parlamentares. Brasília fica com a maior parte dos recursos e os municípios sofrem”, pontuou.

Na pesquisa estimulada que soma os dois votos, Domingos aparece com 14%, tecnicamente empatado com Aécio Neves (PSDB) e Carlos Viana (PSD), e tenta se firmar como o voto útil da direita contra o avanço do movimento “Marécio”, que prega a dobradinha informal entre Aécio e Marília Campos (PT).

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Marco Antônio Superman se apega a padrinhos bolsonaristas

Já Marco Antônio Costa, o Superman (Novo), que marca 6% na pesquisa consolidada e 7% no segundo voto, se apresentou como outsider liberal, mas carregado de padrinhos da direita. Apoiado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e pelo candidato ao governo e senador, Cleitinho Azevedo (Republicanos), ele tenta fazer dobradinha com Domingos Sávio nos palanques do interior. O candidato oscila e apoia Cleitinho, Flávio Roscoe e Mateus Simões para o governo do Estado, dependendo da situação.

Marco Antônio Costa, o Superman (NOVO)
Foto: Luísa Cambraia

O posicionamento incomodou a direção do Novo, que oficialmente apoia Mateus Simões (PSD) para o governo. Durante a entrevista, o candidato afirmou que tem autonomia e liberdade para estabelecer parcerias políticas. “Minha lealdade é com quem tem bandeira. Inclusive, peço ao Zema que apoie o Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno”, declarou.

Na sabatina, Superman atacou o STF, defendeu o enxugamento da máquina pública com redução de cargos e de impostos, prometeu lutar por uma reforma administrativa e pela revogação da reforma tributária.

Ao ser questionado sobre a PEC do fim da escala de trabalho 6×1 que está pronta para ser votada no Senado, o candidato disse que é a favor de “rasgar a CLT”, deixar o mercado regular as relações de trabalho. Nesse sentido, ele defendeu a liberdade do empregador de contratar quem ele quiser para trabalhar por hora.

A maior polêmica, no entanto, foi relembrada pelas entrevistadoras: em debate na Faculdade Milton Campos no mês passado, Superman afirmou que “feminicídio não existe” e que é preciso tirar isso da cabeça, defendendo alteração no Código Penal. “A palavra feminicídio é um neologismo da esquerda feminista para fazer um populismo barato”, disse. Para ele, todos os homicídios devem ser rigorosamente punidos com prisão perpétua ou pena de morte. Segundo Superman, o Código Penal não deve ter tipificações identitárias.

Ao fim das sabatinas, ambos tentaram se destacar entre os 16 nomes na disputa pelas duas vagas no Senado. Enquanto Domingos apostou na experiência de 34 anos de vida pública, de vereador a prefeito de Divinópolis, Superman apostou na renovação e no discurso de impeachment do STF e reforma do Judiciário.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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