Em sabatina, Marília e Áurea defendem frente progressista no Senado

No Minas Presente, candidatas do PT e do Psol defenderam renegociação da dívida de Minas com mais justiça federativa, revisão do traçado do Rodoanel e contenção da polarização
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Em sabatina, Marília e Áurea defendem frente progressista no Senado
Foto: Luísa Cambraia

A renegociação da dívida de Minas com a União, o traçado do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte, o atual modelo de emendas parlamentares e o combate à polarização política foram os pontos de convergência entre as candidatas ao Senado por Minas Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (Psol), durante a sabatina do programa Minas Presente, realizada nesta terça-feira (22). Resultado de parceria entre o jornal Diário do Comércio, a TV Horizonte, a rádio América FM 107,1 e a América TV, o programa reuniu as duas representantes do campo progressista que disputam as duas vagas mineiras em disputa em 2026.

As duas foram unânimes ao defender que o Senado precisa recuperar seu papel de Casa da Federação e mediar o conflito entre Minas e a União de forma menos punitiva, criticaram o orçamento sequestrado pelas emendas sem transparência e afirmaram que o Rodoanel, da forma como foi proposto, repete um modelo de desenvolvimento que gera impactos socioambientais nas comunidades e não resolve a mobilidade. Ambas também defenderam que a superação da polarização passa por uma agenda concreta de direitos para as mulheres e pela recomposição do pacto federativo.

Áurea Carolina defende um Senado com agenda de direitos

Primeira a ser sabatinada, Áurea Carolina, cientista política, ex-vereadora de BH e ex-deputada federal, apresentou sua candidatura como a chance de Minas eleger uma mulher para o Senado após mais de 30 anos sem representação feminina – lembrando que em 202 anos, o Estado elegeu apenas uma senadora, Júnia Marise.

A psolista colocou o enfrentamento ao feminicídio como prioridade de mandato, defendendo percentual fixo de emendas para a rede de proteção, casas-abrigo, delegacias especializadas e a inclusão da Lei Maria da Penha nas escolas.

Áurea Carolina participa de sabatina do programa Minas Presente
Foto: Luísa Cambraia

Sobre a dívida de Minas, Áurea afirmou que o Senado é por excelência a Casa que discute o pacto federativo e que não aceitará uma renegociação que penalize o SUS, a educação e os municípios. Ela citou que defende auditoria da dívida e uma negociação com transparência, articulando o tema com a industrialização das riquezas do Estado, como as terras-raras, com beneficiamento local. “Os ganhos não são à altura das perdas e as terras-raras são uma oportunidade para gente virar essa chave”, assinalou.

Áurea também criticou o peso das emendas parlamentares e o orçamento secreto, que classificou como um atraso para o País. “Quando fui deputada federal, denunciei a corrupção do orçamento secreto e fiz chamamento público com toda transparência e critérios objetivos sobre as emendas do meu mandato”, pontuou Áurea.

Em relação à parceria com Marília Campos, Áurea defendeu a chapa. “Eu acredito demais nessa dobradinha com a Marília. É um reforço mútuo. Somos o time do presidente Lula”, concluiu.

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Marília Campos e o “Marécio”

Segunda a ser sabatinada, Marília Campos, ex-prefeita de Contagem e líder nas pesquisas com 13% das intenções de voto segundo a Quaest, afirmou que sua prioridade no Senado será a dívida de Minas. Para ela, Minas ficou mais pobre nos últimos anos e precisa transformar suas riquezas como minério de ferro, minerais críticos e produção agrícola em recursos para serem investidos na saúde, educação, segurança pública e infraestrutura.

O ponto mais sensível foi o movimento apelidado de “Marécio” – a dobradinha informal entre ela e Aécio Neves (PSDB), histórico adversário do PT. Pressionada sobre o tema após o presidente Lula ter rejeitado publicamente a composição em comício em Montes Claros e pedido voto em Marília e Áurea, a candidata petista negou o acordo. “Meu segundo voto é da Áurea. É possível votar em nós duas sem prejuízo. Isso fortalece o time do presidente Lula no Senado”, disse. Mas ela afirmou que não condena quem faz outra opção. Para Marília, o eleitor vê que ela tem capacidade de diálogo e de não estar nos extremos da polarização política.

Marília defendeu ampliar o debate técnico sobre o Propag, mas sem aceitar a entrega de estatais e terras-raras como moeda de troca. Na visão da candidata, o Estado vai ficar sem capacidade de investimentos se a negociação da dívida permanecer como está. Nesse sentido, ela disse que conta com a vitória do candidato Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas para garantir a renegociação.

Sobre infraestrutura, Marília criticou o traçado atual do Rodoanel Metropolitano, afirmando que faltou escuta das comunidades atingidas e que o projeto precisa garantir compensações e planejamento urbano integrado para a Região Metropolitana. A candidata também defendeu o uso do Anel Ferroviário, que passa por 22 cidades da Região Metropolitana, para transporte de passageiros e não apenas para grãos e minério.

Marília ainda fez duras críticas ao modelo atual de emendas. Para ela, o Congresso sequestrou o orçamento e os parlamentares hoje funcionam como despachantes de recursos sem planejamento, o que fragiliza ministérios e prefeituras.

Minas Presente

O projeto Minas Presente reúne televisão, rádio, jornalismo digital e a cobertura do Diário do Comércio em uma operação especial para ouvir candidatos ao Senado por Minas Gerais a poucos dias do primeiro turno. A reta final das eleições 2026 em Minas Gerais ganha uma cobertura especial e multiplataforma.

TV Horizonte, América FM 107,1 e América TV, veículos que integram a Rede Catedral de Comunicação, formam um pool com o Diário do Comércio para a realização do Minas Presente – Sabatina Senado 2026, série de entrevistas com candidatos ao Senado Federal por Minas Gerais. No primeiro dia, Aécio Neves (PSDB) e Manoel Carvalho (MDB). Nesta terça-feira (22), as entrevistas foram com Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (Psol). A sabatina ainda será realizada na quarta (23) e na quinta-feira (24).

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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