Candidatos ao Senado, Aécio Neves e Manoel Carvalho criticam polarização em sabatina

Os dois criticaram a polarização política e defenderam a renegociação da dívida de Minas com a União
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Candidatos ao Senado, Aécio Neves e Manoel Carvalho criticam polarização em sabatina
Foto: Reprodução / TV Horizonte

Na reta final das eleições 2026, os candidatos ao Senado Aécio Neves (PSDB) e Manoel Carvalho (MDB) participaram, nesta segunda-feira (21), do programa Minas Presente. A iniciativa é resultado de uma parceria entre Diário do Comércio, TV Horizonte, América FM 107,1 e América TV. Durante as sabatinas, que foram realizadas individualmente, os dois candidatos criticaram a polarização política e evitaram declarar apoio a algum candidato à Presidência da República.

O deputado federal Aécio Neves reiterou que pretende fazer um mandato de centro, fugindo dos extremos e, dessa forma, conversar tanto com o futuro governador quanto com o futuro presidente para tentar renegociar a dívida do Estado com a União. O tucano disse que não será senador nem de Luís Inácio Lula da Silva (PT) e nem de Flávio Bolsonaro (PL), mas sentaria na mesa de negociação com qualquer um deles.

Aécio acredita que, se eleito, poderá exercer seu mandato no Senado conversando com todos os partidos e manter sua autonomia para votar pautas de interesse de Minas sem se alinhar a blocos governistas ou oposicionistas de maneira automática. O tucano acredita que o seu partido, ao retomar o protagonismo político, poderá ser “o caminho da pacificação que o País tanto precisa”.

Ainda em relação à atual polarização política, Aécio negou que ela tenha começado quando da disputa entre ele e Dilma Rousseff (PT) disputaram a Presidência, em 2014. Segundo ele, existe uma narrativa adotada pelo PT de que ele teria questionado as urnas eletrônicas e o resultado das eleições. “Se eu fui um dos primeiros a reconhecer a vitória da Dilma e telefonar para parabenizá-la pela vitória, como poderia questionar o resultado das eleições?”, argumentou.

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Aécio tem se colocado como candidato do centro, longe dos extremos e, com isso, tem conseguido votos de dois adversários políticos na disputa pelas duas vagas do Senado. De um lado, há o movimento “marécio”, que prega um voto em Marília Campos (PT) e outro em Aécio. Do outro lado, o seu ex-colega no PSDB, Domingos Sávio, atualmente no PL, também faz dobradinha com o tucano. “Eu não sou candidato de A nem de B, eu quero ser o candidato de Minas Gerais e independente de onde venha esse voto eu vou honrá-lo a cada dia”, assinalou.

Em relação à dívida do Estado, o tucano disse que tem defendido a criação de uma bancada dos estados devedores para renegociar a dívida de Minas. “Inclusive, já conversei com senadores de outros estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Goiás, Bahia que enfrentam a mesma dificuldade”, afirmou. Na visão dele, se a dívida não for renegociada, em pouco tempo, o Estado não terá como honrar com a folha de pagamento dos servidores.

Ao ser questionado sobre possíveis ônus para a sua candidatura por causa de uma trajetória pública marcada por desgastes políticos e investigações judiciais das quais a Justiça o absolveu, Aécio afirmou que, ao contrário, essa é mais uma oportunidade para ele mostrar aos mineiros a sua trajetória honrada na política. Para Aécio, o que houve no passado foi uma injustiça. “Fui vítima de uma grande armação política para me tirar da disputa eleitoral, uma grande armadilha”, disse.

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Manoel Carvalho

O segundo entrevistado no programa Minas Presente foi o candidato ao Senado pelo MDB, Manoel Carvalho. Questionado sobre a polarização nacional, o emedebista declarou que ainda não havia tomado uma decisão de voto sobre a disputa para a Presidência da República e reiterou seu apoio e voto ao candidato do MDB ao governo de Minas, Gabriel Azevedo. “Para presidente, não vou votar nem em Lula nem em Flávio Bolsonaro, que representam esse extremismo que é péssimo para a política e para a sociedade. Vou votar numa terceira via, ainda não decidi em quem, estamos conversando sobre isso dentro do MDB”, afirmou.

O candidato afirmou que uma de suas principais bandeiras é representar a população do interior de Minas Gerais e de pequenos municípios, onde aponta haver maior carência do poder público. Com isso, ele propõe redirecionar recursos de emendas parlamentares para os municípios com menos de 10 mil habitantes para que os prefeitos não fiquem “de pires na mão” passando dificuldades e pedindo recursos para parlamentares.

Para Manoel, uma das saídas para aumentar a arrecadação de Minas é buscar a ampliação de investimentos no setor rural e, dessa forma, o emedebista propõe uma nova distribuição do pacto federativo e uma divisão mais justa dos recursos públicos entre União, estados e municípios. “Eu me considero municipalista porque sou do interior e, como vice-prefeito de Muriaé, na Zona da Mata, vejo a dificuldade enfrentada diariamente pelos prefeitos das cidades próximas a Muriaé com pouco recurso. Isso não é justo e precisa mudar”, pontuou.

Para expandir a malha ferroviária no Estado, Manoel defendeu a adoção de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Ele entende que as ferrovias poderiam não só garantir o transporte de minério de ferro, mas também de grãos, fortalecendo o agronegócio mineiro. O candidato também apoia investimentos massivos na malha rodoviária para alavancar a economia de Minas.

Para ampliar o agronegócio no Estado, o candidato defendeu mais investimentos na agricultura familiar que é muito “latente e carente na região de Muriaé”. Segundo ele, 80% dos produtos na região vêm da agricultura familiar. Além de recursos, Manoel acredita que as pesquisas capitaneadas pela Embrapa, por exemplo, são fundamentais para o crescimento do setor.

O candidato também propõe a renegociação da dívida do Estado com a União e acredita que as conversas não devem ser contaminadas pela polarização político-partidária, como ocorreu entre o então governador Romeu Zema (Novo) e o presidente Lula. “Nesse sentido, o papel do senador foi e ainda é fundamental. Foi preciso a intervenção de um senador, o Rodrigo Pacheco (PSB), para que houvesse acordo”, afirmou.

Minas Presente

O projeto Minas Presente reúne televisão, rádio, jornalismo digital e a cobertura do Diário do Comércio em uma operação especial para ouvir candidatos ao Senado por Minas Gerais a poucos dias do primeiro turno. A reta final das eleições 2026 em Minas Gerais ganha uma cobertura especial e multiplataforma.

TV Horizonte, América FM 107,1 e América TV, veículos que integram a Rede Catedral de Comunicação, formam um pool com o Diário do Comércio para a realização do Minas Presente – Sabatina Senado 2026, série de entrevistas com candidatos ao Senado Federal por Minas Gerais. No primeiro dia, Aécio Neves (PSDB) e Manoel Carvalho (MDB). Nesta terça-feira (22), as entrevistas serão com Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL). A sabatina ainda será realizada na quarta (23) e na quinta-feira (24).

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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